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A montadora sul-coreana Hyundai anunciou ontem que vai adiar a construção da fábrica em Piracicaba (SP), um investimento de US$ 600 milhões anunciado em setembro ao governador José Serra. Segundo a empresa, a suspensão se deve às condições dos negócios globais do grupo, que registrou queda de 28% no lucro líquido no quarto trimestre de 2008.

Desde o acirramento da crise internacional, é o primeiro investimento de grande porte de uma montadora suspenso no Brasil. A fábrica da Hyundai deveria ser inaugurada em 2011, para a produção anual de 100 mil carros. O grupo prometia trazer ao menos oito fabricantes coreanos de peças para abastecer a filial.

A Secretaria de Desenvolvimento do Estado não vai se manifestar até "que seja formalmente notificada pela Hyundai", disse um porta-voz. A Prefeitura de Piracicaba, que doou terreno e benefícios fiscais, informou não ter conhecimento da suspensão. O grupo brasileiro Caoa, que tem parceria com a Hyundai em uma fábrica de caminhonetes em Anápolis (GO) não deu declarações.

O vice-presidente executivo da Hyundai, Tae-hwan Chung, disse em Seul que a empresa também ajustará seus planos de construir uma fábrica na Rússia "de acordo com as condições do mercado". O projeto estava orçado em US$ 392 milhões e deveria ser concluído até janeiro de 2011.

Chung disse que a montadora tem um estoque global de veículos para três meses e meio de vendas. O lucro líquido caiu de US$ 246 milhões para US$ 177,3 milhões no último trimestre do ano passado. Segundo o executivo, o ambiente de negócios seguirá difícil neste ano.

Fontes que acompanham o processo de instalação da fábrica própria da Hyundai no Brasil informaram que a dificuldade em renegociar a dívida de mais de R$ 1 bilhão em impostos e multas com a Receita Federal também influenciou na decisão da suspensão do investimento.

A dívida é cobrada desde o fim dos ano 90 da Asia Motors, ex subsidiária da Hyundai. Teve origem quando a Asia Motors do Brasil - empresa que tinha 51% do capital nas mãos da Asia Motors da Coreia e 49% com um sócio brasileiro e um coreano -, prometeu construir uma fábrica na Bahia. A empresa importou mais de 70 mil veículos com imposto reduzido, mas a fábrica não saiu do papel. A Asia foi incorporada à Kia Motors coreana, adquirida pela Hyundai em 1998. As duas companhias alegam que não tinham responsabilidade sobre as atividades da Asia do Brasil e acreditavam que seriam isentas da dívida.

Em outubro, o grupo Hyundai, maior fabricante de veículos na Coreia e com atuação em diversos setores, também adiou plano de construção de uma fábrica de máquinas pesadas no Brasil, anunciada pouco antes.

Recentemente, a imprensa japonesa divulgou que a Toyota teria adiado a nova fábrica em Sorocaba (SP), mas a direção da empresa no País desmentiu a informação.