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A Hypermarcas anunciou ontem a aquisição de quatro marcas da multinacional americana Revlon, entre elas a Bozzano, por aproximadamente US$ 104 milhões à vista. A operação faz parte da sua já conhecida estratégia de comprar nomes adormecidos para criar um grande grupo nacional de bens de consumo, nos moldes das gigantes Unilever e Procter & Gamble.

Ontem, a Hypermarcas anunciou também a compra das marcas de gel para cabelo NY Looks e NY Radical, do empresário Alexandre Romero, por R$ 60 milhões.

Com as aquisições, o número de marcas da empresa sobe para 85, sendo 25 no setor de higiene pessoal. O objetivo da Hypermarcas, do empresário João Alves de Queiroz, o Júnior (ex-dono da Arisco), é continuar engordando esse portfólio. Na abertura de capital, em abril deste ano, a empresa disse que destinaria 60% dos R$ 600 milhões captados na Bolsa para aquisições. "Ainda temos R$ 400 milhões em caixa. Vamos comprar sempre que aparecerem oportunidades", diz o presidente da Hypermarcas, Claudio Bergamo.

Embora tenha recebido pouca atenção da Revlon nos últimos anos, a Bozzano ainda é um nome tradicional no mercado de beleza masculino. A Hypermarcas pretende ampliar a linha de produtos da marca, começando pelo relançamento das lâminas de barbear. Trata-se de um mercado que movimenta R$ 1,5 bilhão por ano e tem como líder absoluto a Gillette, da Procter & Gamble. Bergamo não descarta também o lançamento de desodorantes, segmento do mercado masculino de beleza que mais cresce atualmente. A Hypermarcas já vende hoje os populares Très de Marchant e Avanço.

No pacote da Revlon, vieram ainda as marcas Campos do Jordão (gel para cabelo) e Acquamarine e Juvena, ambas de xampu e condicionador. "A Acquamarine é um caso clássico de marca adormecida exatamente por não ser o foco da Revlon no mundo", diz Bergamo.

A Revlon tem hoje 43% das vendas fora dos Estados Unidos. Até o ano passado, o Brasil era um dos principais mercados da divisão internacional do grupo, atrás apenas da África do Sul, Austrália, Canadá e Inglaterra. Juntos, os cinco países foram responsáveis por 23% da receita da Revlon em 2007, que foi de US$ 1,4 bilhão. Embora fosse um mercado relevante, a Revlon não vinha crescendo no Brasil, ao contrário do que ocorria no restante da América Latina. As marcas vendidas para a Hypermarcas eram responsáveis por 98% da operação brasileira. A multinacional era representada pela Ceil Comércio e Distribuidora Ltda.

Segundo comunicado divulgado pela Revlon, os cosméticos continuarão sendo distribuídos no País. Ao comentar a transação, o presidente-executivo da Revlon, David Kennedy, disse que a venda é uma "oportunidade de levantar recursos com marcas que não são estratégicas e nem essenciais, ao mesmo tempo em que permite focar na construção das principais marcas da empresa".

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