SÃO PAULO - As operações da segunda etapa do mercado financeiro brasileiro mostram um pouco mais de equilíbrio, amparadas pela melhora de humor também em Wall Street, que opera agora em alta. Instantes atrás, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, registrava alta de 0,22%, aos 40.228 pontos, com giro de R$ 4,929 bilhões, depois de alcançar a mínima de 37.

597 pela manhã. O dólar comercial, que chegou a subir mais de 7% para R$ 2,48, é cotado neste momento a R$ 2,3210 para a compra e R$ 2,3230 para a venda, com alta de 0,51%.

Depois de mais de cinco anos sem vender dólar diretamente no mercado à vista, o Banco Central fez três leilões pela manhã com taxas de R$ 2,4485; R$ 2,37 e R$ 2,3560, respectivamente. A expectativa do mercado é de que o Banco Central tenha de fazer vários leilões diários, por alguns dias, a fim de equilibrar a demanda pela moeda. O montante colocado no mercado ainda é um mistério, mas o mercado avalia que as colocações são maiores do que os US$ 50 milhões diários que a autoridade monetária dava ao mercado em 2003.

"É do interesse dele (do BC) ter atuações mais erráticas e imprevisíveis", diz Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management. Segundo ele, o fator surpresa por parte do BC tende a neutralizar especulações.

Agentes do mercado não acreditam que haja um novo leilão à vista nesta tarde. Mas a hipótese não está descartada caso haja mais caos como o observado pela manhã. A demanda por divisas continua grande, tanto por parte de investidores estrangeiros querendo zerar posições e sair do país, como de empresas locais alavancadas em dólar. Portanto, são duas forças de origens distintas atuando com força na mesma ponta de compra, mas com o BC como único vendedor.

Para a bolsa paulista, os efeitos da aversão a risco também são fortes, mas a orientação é mais externa e depende de como os mercados americanos estão reagindo às proposições para estancar a crise. A volatilidade no entanto é expressiva. O Dow Jones e o Standard & Poor´s 500 já caíram bastante e testaram o lado positivo. Neste momento estão registrando valorização acima de 1%.

Aparentemente, o mercado olha com mais calma para a decisão conjunta dos bancos centrais mais importantes do mundo, incluindo Fed e BCE, que reduziram taxas de juros para proteger o crescimento das economias contra uma recessão global.

A medida é considerada positiva e necessária, mas não teve muito efeito pela manhã, quando os investidores atuavam com irracionalidade na ponta de venda mesmo com notícias apaziguadoras.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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