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Anett Ríos. Havana, 19 nov (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, terminou hoje sua segunda visita oficial a Cuba, na qual se mostrou generoso em créditos e adiamento de dívidas, reconheceu que Fidel Castro está muito recuperado e reforçou a amizade com o Governo de Raúl Castro, que o surpreendeu cantando em chinês.

Hu e Raúl Castro presidiram na terça-feira a assinatura de acordos que concedem Cuba novos créditos e doações e adiam o pagamento de dívidas, dando um respiro ao Governo cubano após a passagem de três furacões que nos últimos três meses causaram perdas calculadas em cerca de US$ 10 bilhões.

Durante sua estadia de 36 horas em Havana foi assinado um convênio que "respalda" um donativo de US$ 8 milhões e um crédito de US$ 70 milhões, destinado a reparar hospitais.

Os acordos assinados na terça-feira - que se somam a outros assinados horas antes de Hu chegar na segunda-feira, na XXI sessão de trabalho da Comissão Intergovernamental - incluem uma prorrogação até 2018 do pagamento "do saldo (não detalhado) do desequilíbrio comercial acumulado até 1994-1995".

Foi adiado também por cinco anos o crédito governamental chinês outorgado a Cuba em 1998 no valor de US$ 7 milhões e se assinou um convênio de reconhecimento mútuo de estudos, títulos e diplomas de educação superior.

Um comunicado oficial revelou que na terça-feira pela manhã Fidel Castro e Hu tiveram "um encontro fraternal" que demonstra os "laços amistosos" entre os dois países, Governos e partidos.

O boletim acrescentou que os líderes máximos de seus respectivos partidos comunistas "concordaram na análise da complexa situação internacional" e na importância da visita do líder chinês e dos acordos rubricados.

Os meios de informação cubanos, todos oficiais, divulgaram uma foto de Hu e Fidel Castro na qual este aparece de pé, vestido com roupa esportiva com as cores da bandeira cubana (branco e alvo, azul e vermelho), da mesma forma que em outras imagens suas dos últimos dois anos.

Outra foto parecida foi divulgada na Internet por meios de imprensa chineses, assegurando que Hu constatou pessoalmente que o ex-governante está "muito recuperado" de sua doença e tem bastante energia.

Fidel Castro, de 82 anos, não aparece em público desde julho de 2006, quando sofreu uma aguda crise intestinal que o obrigou a ceder a Presidência a seu irmão Raúl, de 77.

A China é o segundo parceiro comercial da ilha, depois da Venezuela, segundo funcionários que lembraram que em 2007 as trocas comerciais cresceram 27% e chegaram a US$ 2,6 bilhões, e que se espera outro aumento em 2008.

Raúl Castro disse hoje a jornalistas no aeroporto José Martí, onde Hu tomou seu avião rumo a Lima para participar do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que as reuniões com o visitante tiveram "resultados ótimos".

O governante cubano acompanhou na terça-feira Hu a uma reunião com mais de 300 jovens do país asiático que estudam espanhol na ilha e o surpreendeu ao cantar publicamente em chinês uma composição musical que aprendeu quando era jovem.

Enquanto Hu assinava o livro de visitas de Cidade Tarará, um centro escolar próximo a Havana que acolhe 1.917 estudantes chineses, Castro subiu ao palco e começou a cantarolar uma canção tradicional chinesa que conhece desde 1953.

"Não tenho a memória que Fidel tem, mas ainda me lembro desta canção", disse o general, e começou a entoá-la no meio de aplausos do auditório.

Nessa reunião, Hu destacou que Cuba foi "o primeiro país latino-americano em aceitar alunos chineses e também o país latino-americano que mais número de estudantes chineses recebeu".

Ente 2006 e 2011 Cuba "formará" mais de 5.000 estudantes chineses, em um projeto que o presidente asiático qualificou como o "maior" câmbio educativo, após o restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais em 1960.

Desde 2006 chegaram à ilha 2.544 estudantes chineses para estudar espanhol e 1.435 já se graduaram.

Cuba também abriu suas carreiras universitárias de Idiomas, Medicina, Enfermaria, Turismo, Pedagogia e Psicologia para os que desejas continuar seus estudos na ilha.

O líder visitante lembrou que é um projeto "criado e promovido pelo próprio Fidel Castro". EFE arj/ma