Genebra, 22 set (EFE).- A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que a Geórgia e a Rússia usaram armas de fragmentação no conflito que protagonizaram e durante o qual soldados dos dois países cometeram abusos contra civis e prisioneiros.

A HRW denunciou que reuniu informação que indica que as duas partes do conflito cometeram excessos graves, entre os quais mencionou torturas, condições de detenção deploráveis e até execuções extrajudiciais.

A investigadora Tania Lokshina afirmou que no início das hostilidades as forças da Geórgia usaram tanques e foguetes em locais "nos quais os civis se escondiam" e que depois justificaram estas ações assegurando que entre eles estavam rebeldes da Ossétia do Sul.

Por outro lado, afirmou que os rebeldes e criminosos comuns queimaram e saquearam os enclaves georgianos na Ossétia do Sul, cujos habitantes fugiram na maior parte para a Geórgia pouco antes do início do conflito.

Segundo Lokshina, a "Rússia devia ter acabado com estes abusos e proteger os civis", pois exercia o "controle total" deste território independentista e que formalmente é parte da Geórgia.

Acrescentou que o Governo russo deve garantir agora o direito ao retorno daqueles que fugiram da Ossétia do Sul, algo que "não está fazendo, mas espera que sejam tomadas medidas neste sentido".

Por outro lado, a organização pediu que a Rússia investigue as "denúncias de execuções extrajudiciais, torturas e outros abusos de militares e civis georgianos".

Da mesma forma, reivindicou às autoridades da Geórgia que investiguem os casos de torturas contra prisioneiros da Ossétia do Sul, assim como "pelo menos uma execução extrajudicial de um soldado por milícias e outras forças da Ossétia".

O analista militar da HRW, Marc Garlasco, disse que tanto a Geórgia como a Rússia usaram munição de fragmentação, o que é considerado contrário ao direito internacional humanitário por seus efeitos devastadores entre os civis. EFE is/fal

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