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Hora de comprar: preços de eletros caem no 1º semestre

Mesmo com a alta de várias matérias-primas no mercado internacional, está ficando mais barato comprar eletrodomésticos e eletrônicos nas lojas de São Paulo. Nos primeiros seis meses do ano, os preços médios desses produtos caíram 2,71%, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Agência Estado |

A maior queda ocorreu com os equipamentos de som, com preços 7,53% mais baixos, seguida pelos fornos microondas, que ficaram 5,51% mais baratos. A baixa está ligada a fatores como queda do câmbio, concorrência entre empresas e a produção em larga escala.

Nos pontos de venda, o consumidor mais atento já pode verificar a queda. Em janeiro, conforme levantamento do Informestado, um refrigerador da marca Consul, com capacidade de 241 litros, era vendido por valores entre R$ 799 e R$ 869,90 em lojas como Carrefour, Casas Bahia, Extra e Ponto Frio. Ontem, o mesmo produto podia ser adquirido por cerca de R$ 700 no Extra.

O mesmo vale para o forno microondas Consul Facilite, de 18 litros. Em janeiro, ele custava entre R$ 299 e R$ 319 nas lojas. O preço de ontem no Ponto Frio era de cerca de R$ 260.

"Para o consumidor, há queda de preços, mas para a indústria há um aumento no custo de várias matérias-primas", diz o economista Onofre Portela, das Faculdades Integradas Rio Branco. Entre elas, estão o minério de ferro, o alumínio e as resinas - produtos que entram na composição de eletrodomésticos e eletrônicos.

Os produtos da linha branca, como geladeiras e fogões, usam grandes quantidades de aço, um dos derivados do minério de ferro. Já as resinas são derivados do petróleo. Embora o preço dessas matérias-primas tenha subido no mercado internacional, a pressão não foi repassada aos produtos.

"O minério de ferro aumentou no início do ano, enquanto o aço registrou algumas altas a partir de março", lembra o economista Rafael Castro, da LCA Consultores. "Mas isso ainda não chegou ao consumidor final."

Castro explica que a alta das matérias-primas não é imediatamente repassada para o preço final dos produtos. Antes, o impacto recai sobre os primeiros níveis da cadeia produtora - e pode até ser absorvido por ela.

Um fator que contribui para isso é a concorrência. Como o aumento de preços pode representar uma queda do número de consumidores, muitas empresas optam por não reajustar.

O economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, cita ainda o efeito da produção em escala. "Na medida em que a demanda por produtos cresce, a economia em escala é maior. Quando há mais vendas, o custo unitário de fabricação dos produtos cai." No Brasil, o aumento da renda e a expansão do crédito tornaram a compra de eletrodomésticos e eletrônicos mais acessível para a população. Esse movimento permitiu a redução do custo de produção.

Outro fator que ajuda o consumidor é o câmbio. "O dólar baixo favorece quem compra componentes importados", explica o economista Fernando Sarti, do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). "Além disso, o produto nacional passa a concorrer com os importados. E não sobra espaço para aumentos."

Na prática, fica mais barato para a indústria brasileira importar componentes. E ela não pode subir os preços, porque há equipamentos fabricados em outros países nas lojas. Isso é verificado principalmente nos equipamentos da linha marrom, que usa menos aço e concorre diretamente com produtos de fora. "Os aparelhos de som, por exemplo, caíram muito porque são da linha marrom, que disputa os consumidores com os importados", diz Castro, da LCA. "Essa concorrência não é tão intensa na linha branca." Sarti destaca ainda o avanço da tecnologia. "No caso das TVs, há uma mudança de padrão. É natural que os produtos mais populares sofram uma queda de preços."

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