Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Hipótese de venda da TIM à Telefónica esbarra em lei e concorrência

Embora julguem factível a venda, pela Telecom Italia, de ativos ao redor do mundo para equacionar parte de sua dívida bilionária, inclusive da unidade brasileira, analistas setoriais consideram difícil contornar os obstáculos regulatórios e concorrenciais caso o grupo italiano decida repassar a TIM Participações para a Telefónica. Notícia publicada hoje no jornal italiano Il Sole 24 Ore reporta que a Telecom Italia estaria avaliando a possibilidade de abrir ao mercado sua infra-estrutura de rede na Itália - plano que está em discussão desde o ano passado - ou até mesmo vender seu braço de telefonia móvel no Brasil, a TIM Participações.

Agência Estado |

Segundo a matéria, o candidato natural à compra da TIM seria a Telefónica, que integra o bloco de controle do grupo italiano. Questionada, a TIM disse que não comenta rumores de mercado. A Telecom Italia também foi procurada pela reportagem, mas ainda não retornou a solicitação.

Tanto a analista de telecomunicações da corretora Brascan, Beatriz Batelli, como outros dois especialistas ouvidos pela Agência Estado, que preferiram não se identificar, observaram que há muitos entraves - regulatórios e concorrenciais - para uma eventual venda da TIM Participações à Telefónica. É que o grupo espanhol, por meio da Telefônica do Brasil, possui 50% do capital da Vivo, operadora de celular líder em participação de mercado.

Pelas regras do setor, um mesmo grupo não pode deter duas licenças de telefonia móvel para uma mesma área no Brasil. Por isso, na hipótese de comprar a TIM, a Telefônica teria de devolver a licença que recebeu da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para explorar a Vivo. Neste caso, a empresa se depararia com um obstáculo de ordem societária: a Telefônica divide, em partes iguais, o controle da Vivo com a Portugal Telecom (PT). "Numa situação de crise financeira global, é difícil avaliar se a PT teria como comprar os 50% da Telefônica na Vivo", disse a analista da Brascan.

Na eventualidade de a Telefônica conseguir juntar as carteiras de clientes da TIM e da Vivo - para isso, precisaria convencer a PT a deixar a sociedade, mas a Vivo é estratégica para a tele portuguesa -, o grupo espanhol enfrentaria um empecilho tecnológico: teria de devolver uma das faixas de radiofreqüência para prestar os serviços de telefonia móvel. Conforme alguns analistas, a freqüência remanescente poderia não comportar os usuários das duas operadoras, o que comprometeria a qualidade de prestação dos serviços. "Para contornar este problema e ajustar a rede à base maior de clientes, seriam necessários pesados investimentos, atitude que não é nada fácil", observou o analista de uma corretora de valores.

Haveria também, na opinião de analistas, problemas de ordem concorrencial: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) dificilmente ficaria alheio ao fato de Vivo e TIM reunirem, juntas, participações de mercado superiores a 70% em várias regiões.

Conforme alguns analistas setoriais, como a TIM apresenta boas perspectivas de crescimento, os controladores poderiam pedir um preço alto pela unidade de telefonia móvel, o que poderia dificultar os planos de venda em um contexto de crise e depreciação de ativos ao redor do globo. "Além da concentração de mercado, o problema será achar um preço justo", destacou.

A analista da Brascan considera pouco provável que exista, além da Telefónica, outro comprador para a TIM. Ela observou que, se a Telefónica não concordar com a venda de ativos estrangeiros de mais de 4 bilhões de euros ou com alianças internacionais, pode se reservar o direito de deixar a Telco, consórcio formado com os parceiros italianos para comprar a controladora da Telecom Italia. Essa engenharia societária, segundo Batelli, dificultaria o processo. Um outro analista disse, também, que mesmo que o grupo mexicano América Móvil fizesse uma proposta pela TIM, teria de resolver a questão da concentração de mercado.

O analista setorial de um grande banco brasileiro é mais cético com relação a estes rumores. Primeiro porque não será fácil contornar os empecilhos regulatórios e concorrenciais. "Há muitos planetas a serem alinhados antes de dar esse passo", afirmou. Depois, segundo ele, seria muito mais conveniente para a Telefônica "usar seu poder de fogo" para assumir integralmente a Vivo. "Qual o valor estratégico da TIM para Telefônica? Para gerar sinergia com a Telesp, a espanhola deveria capturar o máximo possível de clientes em São Paulo e, nesse ponto, a Vivo oferece muito mais." Apesar de dizer que "não acredita muito" neste rumor de venda, este analista diz que, "na dúvida", tem preferência pelas ações ordinárias da TIM, que dão direito a voto e ao tag along (direito que garante ao minoritário receber o prêmio pelo controle em caso de troca de controlador), que subiam mais de 10% instantes atrás.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG