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Herdeiros afirmam que desapropriação foi ‘agressão armada’

Maria Aparecida de Abreu, de 62 anos, ainda guarda na memória os relatos emocionados do avô, Manoel José de Abreu, do dia em que a fazenda Ferrugem foi desocupada. "As máquinas chegaram com eles dentro da propriedade.

AE |

Maria Aparecida de Abreu, de 62 anos, ainda guarda na memória os relatos emocionados do avô, Manoel José de Abreu, do dia em que a fazenda Ferrugem foi desocupada. "As máquinas chegaram com eles dentro da propriedade. Foram derrubando tudo, as plantações que eram o sustento deles." Os herdeiros contam que a desocupação foi feita sem aviso e com o uso da força, por policiais armados. "Não foi uma desapropriação, foi uma agressão." Na casa simples em que mora, no bairro Nova Granada, em Belo Horizonte, Maria Aparecida guarda com cuidado um documento amarelado, que garante ser o registro da compra da terra, onde os avós e seus dez filhos plantavam abacaxi e laranja. Ela afirma que hoje sobrevive com apenas um salário mínimo por mês que ganha de aposentadoria do período em que trabalhou numa fábrica de sapatos. Em casa, cuida do marido doente e se angustia com a situação dos dois filhos, ambos desempregados. Embora tenha esperança numa solução, a aposentada diz que a maioria dos parentes já "não aguenta esperar". O pai, conta, viveu até os 84 anos, mas também nunca conseguiu se adaptar à vida urbana. Ele morreu em 1996, no mesmo ano que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a sentença, transitada em julgado em 1957. "Meu pai, perto de morrer, catava papel para se sustentar." Sônia Marques Leal, de 59 anos, bisneta de Luiz Claudino Hilário, dono da fazenda Peroba, continua vivendo nas imediações da Cidade Industrial. Costureira, ela trabalha em casa, na região do Barreiro, em Contagem. Com poucos recursos - o marido é alfaiate - sonha com a indenização, na esperança de que o dinheiro possa ser usado para dar uma vida melhor ao irmão doente, Antônio Luiz Marques, 50 anos, que para sobreviver depende da hemodiálise. "Eu não deixo de pagar minhas contas, os impostos, mas o Estado me deve e não paga", reclama a costureira. As informações são do Jornal O Estado de S.Paulo.

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