Ex-presidente do banco Goldman Sachs, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, demonstrou ser capaz de um pragmatismo muito distante de sua ideologia republicana ao dirigir o espetacular esforço de Washington para salvar um sistema financeiro ameaçado de implosão.

Paulson, 62 anos, deixou o posto de número um do principal banco de negócios de Wall Street para se converter no terceiro secretário do Tesouro do governo Bush.

Depois de ter tido um papel discreto durante longo tempo, há algumas semanas está em todas as frentes para tentar cobrir todas as brechas do sistema financeiro mundial, pilotando intervenções de todos os tipos: injeções de liquidez, concessão de garantias do Estado, estabelecendo novas regras na bolsa, estatizando bancos e exercendo um direito que parece soberano para decidir que instituições merecen ser salvas ou não.

Na mesma semana, o governo americano assumiu o controle da seguradora AIG, intermediando na concessão de um empréstimo-ponte de 85 bilhões de dólares, enquanto o Lehman Brothers ficava abandonado à própria sorte.

Este poder de vida e morte ele não exerce sem causar certo mal-estar, já que durante seus 32 anos no Goldman Sachs construiu um confortável portfólio de ações avaliado em 500 milhões de dólares.

Não faltou quem observasse que o desaparecimento do Lehman Brothers só fez beneficiar o banco Goldman Sachs e o secretário-acionista, mas esta semana Paulson foi enfático quanto ao desmantelamento da primeira instituição: "é triste, mas não havia ninguém para comprá-lo".

Este hombre calvo, de voz cavernosa y porte atlético, apasionado por las caminatas y por la cultura china, jamás escondió lo paradójico de su situación, puesto que siempre se opuso a un Estado accionista.

O pragmatismo deste ex-funcionário do governo Nixon o ajudou a deixar de lado seu antigo credo liberal, tal como fez o presidente do Federal Reserve, o cerebral Ben Bernanke, com quem forma uma dupla inseparável.

Por outra parte, Paulson já está acostumado a remar contra a corrente, em seu campo republicano.

Quando chegou em Washington, enfrentou os círculos muito conservadores que cercam o presidente Bush, em particular porque exigiu uma nova política energética para deter o aquecimento do planeta, na contramão da política ditada até então pelo governo.

Este asceta que não consome álcool, é cristão praticamente e adepto do caiaque nos finais de semana, junto à Wendy, sua esposa há 39 anos.

No entanto, ultimamente não tem muito tempo para esse passatempo: há um mês passa seus fins de semana preparando reformas e reestruturações.

"É um lutador, um amigão, uma pessoa encantadora e um homem carismático", resumiu recientemente Charles Ellis, autor de um livro sobre o Goldman Sachs.

"Durante toda minha vida fui formado para lutar quando surge um problema, a fim de resolvê-lo", explicou Paulson, ex-jogador de futebol americano nos tempos de universidade, diplomado em Dartmouth e em Harvard.

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