A turbulência nos mercados globais, que tem derrubado as ações brasileiras, fez hoje as primeiras vítimas entre os fundos: o GWI Fundo de Investimentos em Ações (GWI FIA) e o GWI Classic Fundo de Investimento em Ações (GWI Classic). Nos fatos relevantes enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM, que regula o mercado de capitais do País), o BNY Mellon, na condição de custodiante dos fundos, informa que em razão da iliquidez dos ativos componentes de sua carteira, os fundos serão fechados para saques e resgates.

No site do GWI Asset Management, gestor do fundo, um comunicado atribui o fechamento do GWI FIA ao "agravamento das condições do mercado nos últimos 5 dias, que levaram o fundo a uma situação delicada de liquidez". No caso do GWI Classic, o problema foram os pedidos de resgate.

Durante anos, os fundos ocuparam lugares de destaque em rankings de rentabilidade. Mas a maré virou nos últimos meses, com a deterioração do cenário externo impondo duras perdas às ações brasileiras. Isso afetou os fundos do GWI, em particular o GWI FIA, que trabalhava com alta alavancagem - apostas feitas com dívidas.

O nível desse "endividamento" provocou uma reunião na BM&F Bovespa, em 17 de setembro. Segundo o relato de um dos participantes, os gestores foram alertados sobre o nível de alavancagem. A reunião foi realizada no dia em que o GWI FIA caiu 32,84%.

A instabilidade dos últimos meses também levou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a redobrar a atenção sobre fundos de investimentos, especialmente os mais alavancados. A informação foi dada ontem pelo superintendente de Relações com Investidores Institucionais da CVM, Carlos Alberto Rebello. A intenção é mapear potenciais desenquadramentos nesse momento de maior volatilidade, por meio dos filtros internos de supervisão do órgão.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando houver forte perda de valor de cotas ou reduções muito rápidas de patrimônio líquido. "Os filtros são para supervisionar a aderência do fundo à legislação e à regulamentação", disse Rebello. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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