Para minimizar o impacto do câmbio sobre suas demonstrações financeiras, a GVT quer reduzir de 43% para 39% no próximo ano a parcela do investimento em ativo permanente (Capex) em moeda estrangeira. Para isso, a operadora de telecomunicações quer ampliar a participação de fornecedores nacionais em seus projetos, informou há pouco seu diretor de Relações com Investidores, Rodrigo Ciparrone.

"Vamos fazer um trabalho pró-ativo para nacionalizar o Capex na medida do possível", disse o executivo, em teleconferência para comentar os resultados do terceiro trimestre do ano.

No balanço divulgado ontem à noite, a GVT reportou um resultado financeiro líquido negativo em R$ 63,3 milhões no período, contra um ganho de R$ 22,7 milhões em intervalo correspondente do ano passado. A maior parte desta perda, ou R$ 59,8 milhões, está relacionada à valorização de 20,3% do dólar frente ao real ante a posição do fechamento do trimestre anterior. A variação cambial negativa é não-realizada, ou seja, uma correção do dólar de fechamento, e provém de uma dívida externa de US$ 185 milhões que vencerá em junho de 2011. Com isso, a GVT anotou um prejuízo líquido de R$ 9,563 milhões no exercício, revertendo o lucro de R$ 41,245 milhões contabilizado na última linha do balanço um ano atrás.

Na teleconferência para comentar o balanço, Ciparrone afirmou que, neste momento de turbulência financeira, o pior dos cenários seria uma adição de 6% a 7% no valor orçado para o Capex, por conta da oscilação do dólar. Mas ele descarta que isso ocorra nesta proporção, pois a GVT "está buscando novas maneiras de otimizar" o investimento programado para o ano. A GVT considerou a taxa de R$ 1,80 para calcular o Capex de 2008, que em nove meses totalizou R$ 475,282 milhões - dos quais R$ 176,973 milhões foram empregados somente no terceiro trimestre.

Por considerar muito caras as operações de proteção cambial, Ciparrone descartou blindar o principal da dívida contra variações cambiais. "Não está nos nossos planos fazer hedge do principal", observou, dizendo que a empresa está "atenta" aos movimentos do mercado nas próximas semanas ou meses.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.