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Guitarra com selo verde ganha espaço

A indústria de instrumentos musicais está tentando se tornar verde. Gigantes da música, como as americanas Gibson, Taylor e Martin já estão produzindo instrumentos com madeira certificada com o selo FSC, que atesta que a matéria-prima veio de áreas de manejo controlado.

Agência Estado |

No Brasil, a certificação de instrumentos já dá os primeiros passos. A pressão começa a ocorrer porque violões e guitarras são fabricados com madeiras nobres, cujo extrativismo já encontra restrições.

"A fabricação de instrumentos com madeira certificada é uma tendência real. A preocupação tem partido da indústria internacional e já mobiliza parte dos fabricantes nacionais", afirma Luis Fernando Guedes Pinto, secretário executivo do Imaflora, entidade responsável pela certificação FSC no Brasil.

Ele explica que, na fabricação dos instrumentos, o volume de madeira usado é pequeno, mas são espécies de alto valor comercial, ameaçadas de extinção. É o caso do pau-brasil, madeira utilizada há mais de 200 anos para confecção de arcos de violino, do jacarandá, usado para fazer violões, e do mogno, usado nas guitarras. Todas as espécies estão com o corte proibido no Brasil. "O desafio para a indústria é não somente adotar a certificação, mas encontrar espécies alternativas, que forneçam as mesmas qualidades acústicas das madeiras conhecidas e sejam aceitas pelos luthiers e músicos", diz Pinto.

A pioneira no uso do selo verde foi a Gibson, conhecida marca de guitarras. Em 1996, a empresa lançou o primeiro instrumento feito com mogno e pinho certificados. Hoje, cerca de 80% da produção das guitarras Gibson nos Estados Unidos é feita com pinho, freixo e álamo com o selo FSC.

De olho no potencial de mercado dos instrumentos ecológicos, a Hering Harmônicas, de Blumenau (SC), está investindo US$ 8,5 milhões em uma unidade em Rio Branco, no Acre, para beneficiamento de madeiras provenientes de áreas de extrativismo sustentável. A unidade, em construção, vai começar a operar em junho de 2009 e deve beneficiar madeira suficiente para fabricar 10 mil guitarras por mês, afirma Alberto Bertolazzi, presidente da empresa.

"O objetivo é fornecer para empresas de instrumentos musicais dentro e fora do País e mostrar que é possível mudar os padrões dessa indústria", diz Bertolazzi. Segundo ele, há muito espaço para crescer. "Os europeus são os mais interessados em instrumentos certificados", diz. A Hering, especializada na fabricação de gaitas, começou a fabricar guitarras em 2004, de modo semi-artesanal. Hoje, produz 30 unidades por mês e só usa madeira certificada.

Esse mercado também está na mira dos empreendedores Bruno Araújo e Eduardo Medeiros, sócios da Echo Instrumentos Musicais. Ainda embrionária, a empresa venceu um concurso de inovação promovido pela Fundação Getúlio Vargas. Na próxima semana, os sócios embarcam para a Califórnia com protótipos na bagagem para apresentar a empresa a investidores americanos. "Esperamos conseguir recursos para começar a produção em escala", diz Araújo.

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