O grupo têxtil Vicunha anunciou ontem a construção de uma fábrica em Mato Grosso, com investimentos previstos de R$ 350 milhões. Pela manhã, a empresa assinou protocolos de intenção para o investimento com o governo do Estado e com a prefeitura de Cuiabá, onde será instalada a unidade.

De acordo com o presidente do Grupo Vicunha, Ricardo Steinbruch, o grupo se tornará a maior indústria têxtil do mundo, com a instalação da nova fábrica em Cuiabá. A empresa já é hoje a maior do setor na América Latina. A indústria, que deve entrar em funcionamento em três anos, terá capacidade para processar cerca de 65 mil toneladas de algodão e produzir 72 milhões de metros de tecidos por ano. O parque industrial ocupará uma área de 60 hectares. Dentro do investimento previsto de R$ 350 milhões estão incluídas as obras civis, maquinário, mão de obra e capital de giro.

Atualmente, a Vicunha produz e comercializa índigos, brins, fios e filamentos. As fábricas estão localizadas no Ceará, Rio Grande do Norte e em São Paulo. Steinbruch explicou que a escolha de Cuiabá foi fundamentada na estratégia de a produção estar mais próxima da principal matéria-prima, uma vez que Mato Grosso é o maior produtor brasileiro de algodão.

Incentivos fiscais. As concessões de incentivos fiscais também contribuíram para a escolha de Mato Grosso. O prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), pré-candidato à sucessão de Blairo Maggi (PR) ao governo do Estado, autorizou a concessão de 70% de incentivo fiscal para a Vicunha, além da doação do terreno para instalação da nova fábrica. Segundo fontes da administração municipal, a companhia tentou até a noite anterior à assinatura do protocolo incentivos de 100%. O terreno que será doado pela prefeitura precisa antes ser desapropriado.

O acordo também prevê que o poder público vai disponibilizar infraestrutura para o empreendimento, como energia elétrica, água, transporte coletivo, coleta de lixo. O município espera que a fábrica permita a criação de dois mil empregos diretos e outros seis mil indiretos na região.

Blairo Maggi, que no fim do mês deixa o cargo para se candidatar ao Senado Federal, diz que a instalação da indústria da Vicunha é um passo importante para o desenvolvimento da cadeia produtiva do algodão no Estado. O secretário estadual de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf, informou que as negociações se intensificaram nos últimos seis meses, mas que o primeiro contato com a empresa foi feito há dois anos.

Nadaf destacou que a industrialização vai agregar valor de até dez vezes em relação ao preço do algodão comercializado "in natura". Ele afirmou que, na próxima semana, executivos da fabricante de roupas Hering estarão em Mato Grosso para sondagens. "A ideia é transformar Mato Grosso num polo têxtil", disse Nadaf.

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