SÃO PAULO - O cenário de crédito no Brasil não ficará imune à crise internacional devido à profundidade em que ela se instalou. A avaliação é do presidente do Conselho de Administração do Grupo Ultra, Paulo Cunha.

O executivo afirma que ainda não avaliou com cuidado os possíveis efeitos do agravamento da crise financeira nos Estados Unidos para a empresa, mas que as dificuldades de crédito prejudicam não só o crescimento do setor privado, mas também do país.

A companhia tem um plano de investimentos de pouco mais de US$ 600 milhões para 2009 que depende em alguma medida de captações internacionais. Cunha afirma que os investimentos da empresa nos últimos anos contam preponderantemente com recursos próprios "e alguma coisa de recurso externo". Com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o empresário diz que não negocia crédito há mais de cinco anos.

Questionado sobre se o momento exige cautela ou ousadia, como sugeriu Benjamin Steinbrush, presidente da CSN, Cunha afirmou que o governo tem que ser ousado, mas as empresas precisam ser cautelosas. "Nós estamos sendo ousados", disse, mencionando o avanço das receitas da empresa. O executivo afirma que o faturamento da empresa, que foi de R$ 5 bilhões em 2006, deve alcançar R$ 25 bilhões neste ano e R$ 37 bilhões no ano que vem.

Sobre a crise envolvendo a Bolívia e os riscos associados ao fornecimento de gás no país, Cunha afirmou que a situação não envolve diretamente o grupo Ultra, que não trabalha com gás natural. "Mas não acredito que haverá grandes problemas com o gás da Bolívia", acrescentou.

"(Bianca Ribeiro | Valor Online)"

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