As práticas modernas de gestão familiar orientam as empresas a delegarem as tarefas cotidianas a executivos de mercado, bem preparados e capazes de aplicar uma administração mais impessoal aos negócios. Pois uma empresa farmacêutica de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, fez o caminho inverso para sair do prejuízo: tirou os executivos da gerência e entregou o comando, novamente, a membros da família.

As práticas modernas de gestão familiar orientam as empresas a delegarem as tarefas cotidianas a executivos de mercado, bem preparados e capazes de aplicar uma administração mais impessoal aos negócios. Pois uma empresa farmacêutica de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, fez o caminho inverso para sair do prejuízo: tirou os executivos da gerência e entregou o comando, novamente, a membros da família. Deu certo. Sem essa retomada, o Grupo JP, fabricante de soros para uso médico e bolsas de acondicionamento de sangue, provavelmente teria desaparecido ou seria comprado por alguma concorrente. Dez anos atrás, a empresa somava prejuízos de R$ 5 milhões. Agora, com a atuação dos filhos dos dois sócios fundadores, a JP faz planos de terminar o ano com faturamento de R$ 80 milhões e no azul - embora não divulgue o lucro. "Isso não aconteceu por acaso. O sucesso só foi possível porque estávamos preparados", diz o presidente André Ali Mere, formado em administração e direito. A história do Grupo JP começou em 1966, quando o médico Yussif Ali Mere, pai de André, e o cunhado dele enxergaram a possibilidade de empreender. Eles perceberam que a fabricação de soros no País não era suficiente para atender à demanda e decidiram entrar para o ramo. Durante duas décadas, os sócios comandaram a empresa de perto. Mas como Yussif não deixou o consultório e acumulava a diretoria da Santa Casa de Ribeirão Preto, eles resolveram contratar administradores profissionais para conduzir os negócios. "Selecionamos executivos da concorrência com experiência nessa área, mas não foi suficiente." Uma década depois, a empresa estava praticamente quebrada, com dívidas e funcionários demais. Foi aí que os filhos entraram. "O primeiro passo foi convencer nossos pais de que tínhamos condições de assumir." Cortes. Essa primeira etapa não foi mais difícil do que a que veio depois. André e o primo Marcelo Toledo, hoje diretor de marketing, tiveram de demitir os funcionários, enxugar a empresa e cortar os custos - política que os dois mantêm até hoje. Na alta gerência, oito pessoas foram mandadas embora. "A situação estava bem complicada", conta Marcelo. Além da JP, o grupo tem também uma fábrica de equipamentos para laboratórios e hospitais - a Olidef cz, adquirida na década de 80. Na terceira etapa da reestrutura, os primos concentraram esforços para implantar na fábrica uma gestão de qualidade. Eles adequaram os produtos às normas do Inmetro e às regras internacionais. Esse investimento fez a empresa saltar para a condição de exportadora. Os produtos são vendidos para 40 países. Aos 82 anos, o fundador Yussif visita a fábrica, com 500 funcionários, todos os dias, conversa com os funcionários e, vez ou outra, dá um palpite na administração. As ações foram distribuídas entre os três filhos. Os herdeiros que estão no comando da JP se orgulham de contar essa história, mas sabem que buscar o caminho contrário nem sempre é a melhor saída. Dizem que só tiveram sucesso porque conseguiram se profissionalizar. "E podemos tirar proveito da vantagem de termos sido criados juntos: a confiança", diz Toledo.

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