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Grupo Cosan promove mudanças e planeja forte expansão para a Esso

SÃO PAULO - O Grupo Cosan já tem em mãos suas estratégias para administrar seu mais novo negócio: a Esso, a quinta maior distribuidora de combustíveis no país. A filosofia Cosan , conhecida no mercado sucroalcooleiro por ser agressiva em fusões e aquisições, também deverá ser implantada na distribuidora.

Valor Online |

Pretendemos fazer aquisições e aumentar a participação da Esso para 10% em pouco tempo , disse ao Valor o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente da Cosan, a maior companhia de açúcar e álcool do Brasil e uma das maiores do mundo.

O grupo assume, a partir de dezembro, 100% da gestão de seu novo ativo. Por enquanto, a administração é compartilhada. Mas mudanças significativas já começaram a ser feitas. Uma delas foi a escolha do vice-presidente comercial e de logística da Cosan, Marcos Lutz, ex-Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), como o braço da gigante do álcool na Esso. O principal executivo financeiro (CFO) da Esso no Brasil, Andrea McDonald, voltará para ExxonMobil, nos EUA. Uma equipe de controllers da Cosan já está na Esso. Marcos Lutz será o responsável pela Esso. Ele terá uma equipe de executivos, muitos já da empresa, que é bem competente , diz Rubens Ometto. Ao que tudo indica, o atual presidente da companhia, Carlos Piotrowski, permanecerá no cargo.

No país, a Esso tem uma participação de 5,9%, segundo os últimos dados do Sindicom (Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis). Abocanhar 10% desse mercado, como pretende Rubens Ometto, não será uma tarefa muito fácil. Ao contrário do setor sucroalcooleiro, mercado altamente pulverizado com quase 400 usinas e gestão ainda em boa parte familiar, o segmento de distribuição de combustíveis é concentrado e predominantemente de capital estrangeiro. Crescer um ponto percentual por ano é muito difícil. É preciso pesados investimentos e aquisições , afirmou Alísio Vaz, diretor do Sindicom.

Rubens Ometto sabe das dificuldades que enfrentará e desafia: Vou tornar a Esso novamente a maior empresa do país. No mercado, ninguém duvida da capacidade de expansão da Cosan e isso já deixa o mercado ainda mais antenado.

Primeiro, porque os boatos de que a Cosan estaria de olho na Texaco voltaram a crescer. Rubens Ometto, que regressou ontem dos Estados Unidos, onde participou de reuniões com seus vice-presidentes Marcos Lutz, e Paulo Diniz (financeiro e relações com os investidores), negou que o grupo esteja no páreo. O Grupo Ultra é considerado o mais forte comprador, apesar de o mercado não descartar a Cosan também como um dos possíveis proponentes. Depois, porque o empresário, sempre no seu estilo low profile , mantém o discurso de que está sempre analisando novas oportunidades . E, geralmente, resulta em aquisições.

A compra dos ativos da Esso pela Cosan foi anunciada no dia 24 de abril. Pelo acordo fechado com a ExxonMobil International, uma das maiores companhias globais de petróleo, a Cosan adquiriu os ativos no Brasil por US$ 826 milhões, mais dívidas de US$ 163 milhões. Ontem, a compra da Esso pela Cosan foi aprovada em bloco pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

No curto prazo, os planos da Cosan são aumentar os postos de combustíveis da Esso no país. A companhia tem cerca de 1.500 unidades em 20 Estados e quer avançar para outras regiões onde não está presente. Com forte tradição no mercado de álcool combustível, a Cosan informou que a gestão de preços de combustíveis da Esso será totalmente independente. A política da Esso vai ser de ganhar cliente, que poderá ser de preços mais agressivos , disse.

Uma mudança e tanto de postura do empresário, considerando que em um passado recente, Rubens Ometto fazia coro com as usinas do país ao criticar a política de reajuste de preços do álcool pelas distribuidoras nas bombas.

E já com um discurso afinado com as distribuidoras, da qual já faz parte, Rubens Ometto é categórico: A concorrência é forte nos postos de bandeira branca [referindo-se a preços]. Mas a Esso é uma empresa muito boa, tem potencial de crescimento fantástico, com boa rentabilidade. O faturamento é da ordem US$ 11 bilhões por ano, mas ainda tem investimento muito pequeno, de US$ 4 milhões , afirmou o empresário. Em dezembro, o grupo anunciará o orçamento de investimentos para Esso.

Segundo o empresário, a sinergia entre a Cosan e a Esso vai permitir uma redução de custos para as duas companhias. Existe uma sinergia que vai permitir que um caminhão que vai com álcool, volte com diesel, por exemplo , disse. Estamos montando uma máquina muito interessante. Temos 50% de participação numa trading [de álcool], a Vertical. Essa empresa deverá ser integrada com a Esso , acrescentou.

Embora tenha planos ambiciosos para a Esso, Rubens Ometto preferiu não comentar quando a companhia poderá atingir os 10% de participação no mercado nacional. A Esso já teve participação de 80% no Brasil muitos anos atrás e vamos crescer muito rapidamente.

De fato, a Esso era líder do mercado de distribuição de combustíveis no país até o fim dos anos 60. Mas, a partir dos anos 70, foi atropelada com a chegada da BR Distribuidora, criada em novembro de 1971 pela Petrobras, no mercado. O movimento de concentração nesse setor foi muito agitado nos anos 70 , lembrou Alísio Vaz. Nesse período, a multinacional Shell também adotou uma estratégia agressiva de expansão no país, que surtiu efeito. A concentração desse setor continuou intensa. No início dos anos 1990, a Ipiranga ganhou musculatura com a compra da Atlantic. O movimento de aquisições e a expansão de postos de combustíveis de bandeira branca também ajudaram a empurrar a Esso para a quinta no ranking. Mas não foi só isso. Fontes do setor afirmam que os controladores da Esso tinham puxado o freio nos investimentos no país nos últimos anos.

Ao que tudo indica esse setor deverá se agitar novamente. A estréia da Cosan no segmento de distribuição de combustíveis e a provável venda da Texaco são alguns desses ingredientes. Procurada pelo Valor, a Texaco não quis comentar o assunto.

A entrada da Cosan no setor não assusta os concorrentes. A postura, por enquanto, será de observar os primeiros passos do grupo nesse mercado, afirmaram fontes. Essas mesmas fontes também informaram que outras gigantes do álcool já estudam trilhar o mesmo caminho da Cosan. E propostas de aquisições já foram feitas.

(Mônica Scaramuzzo | Valor Econômico)

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