SÃO PAULO - A greve de metalúrgicos, que hoje completa 47 dias, e problemas com fornecedores de peças para aviões de fuselagem larga - especialmente o 787 Dreamliner - causaram uma retração de 38% no lucro líquido da Boeing no terceiro trimestre deste ano. Ainda assim, a fabricante decidiu manter inalteradas suas previsões para o fechado do ano.

O lucro líquido da companhia passou de US$ 1,11 bilhão entre julho e setembro de 2007 para US$ 695 milhões no mesmo período deste ano. Por ação, o resultado passou, nessa comparação, de US$ 1,46 para US$ 0,95. O fluxo de caixa operacional da Boeing ficou negativo em US$ 442 milhões no terceiro trimestre deste ano, após ter sido positivo em US$ 3,32 bilhões no mesmo intervalo de 2007.

Segundo a empresa, cerca de 35 aviões deixaram de ser entregues no terceiro trimestre por conta da greve em sua divisão de aviação comercial. No total, a Boeing enviou 84 aeronaves a clientes entre julho e setembro, contra 109 entregues no mesmo período do ano passado. A companhia, porém, afirmou que só irá fazer uma avaliação completa do impacto financeiro da greve após o fim da paralisação dos trabalhadores.

Essa retração levou a uma queda de 16% no faturamento da divisão comercial, para US$ 6,94 bilhões e influenciou na baixa de 7% nas receitas de toda a companhia, que fecharam o período de julho a setembro em US$ 15,29 bilhões.

O lucro operacional na área de aviação comercial caiu para menos da metade no terceiro trimestre em relação ao ano anterior. O ganho com essa operação foi de US$ 394 milhões, um tombo de 58%. Em conseqüência, a margem operacional dessa divisão ficou 5,7 pontos percentuais menor, em 5,7%.

"Ainda que a suspensão das entregas de aviões comerciais tenha causado um enorme impacto no trimestre, conduzimos com sucesso o restante de nossos negócios e mantivemos o foco no forte balanço que construímos ao longo dos últimos anos", afirmou o presidente do conselho, presidente e executivo-chefe da Boeing, Jim McNerney. "O balanço, em conjunto com nossa carteira ampla de US$ 349 bilhões, nos dá uma flexibilidade excepcional para enfrentar uma paralisação de trabalhadores mais longa e para nos adaptarmos às circunstâncias que podem advir da crise financeira global da desaceleração econômica mundial", acrescentou.

Entre julho e setembro, a empresa anunciou ter acumulado 149 pedidos brutos de aeronaves, o que levou a carteira da divisão comercial para o nível recorde de US$ 276 bilhões - 8% mais que no mesmo período do ano passado.

Sobre o 787, a empresa afirmou que, apesar da greve, foram obtidos avanços consideráveis no programa. Ainda assim, o projeto da nova aeronave acumula atrasos de cerca de dois anos e seu primeiro vôo de teste só deverá ocorrer no início de 2009. Várias das 58 companhias aéreas que adquiriram o avião já estão refazendo seus planos de frota para acomodar o atraso nas entregas.

Na divisão de defesa da Boeing, o trimestre foi menos problemático. Ela acumulou um crescimento de 6% no faturamento, que chegou a US$ 3,77 bilhões, e de 4% no lucro operacional, que atingiu a marca de US$ 854 milhões. O destaque nessa divisão foram os negócios da área de redes e sistemas espaciais, com um aumento de 82% em seu lucro operacional, que foi a US$ 301 milhões.

Sem a atualização das expectativas para este ano, ficam valendo as publicadas pela Boeing no segundo trimestre, que indicam um faturamento entre US$ 67 bilhões e US$ 68 bilhões. O lucro por ação é estimado de US$ 5,70 a US$ 5,85 para este ano. No total, a companhia planejava, ao fim do segundo trimestre, entregar entre 475 e 480 aeronaves comerciais neste ano, obtendo um faturamento operacional nessa divisão de US$ 34,5 bilhões a US$ 35 bilhões.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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