Ramón Santaularia. Atenas, 3 mai (EFE).

Ramón Santaularia. Atenas, 3 mai (EFE).- Os gregos receberam com dúvidas e muita reticência as estritas medidas de austeridade impostas ao país pelos países-membros da União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para conceder os créditos que impeçam a elevada dívida do país de o levar à bancarrota. Prova do descontentamento geral contra essas medidas são as manifestações e greves de alcance diverso que afetaram hoje alguns distritos de Atenas, o anúncio de mais interrupções para amanhã e a convocação de uma greve geral para quarta-feira. Hoje, pelo centro da capital grega, caminhões de recolhimento de lixo se movimentavam para protestar contra as draconianas medidas governamentais. Também saíram às ruas agentes da Polícia e das Forças Armadas - Marinha, Exército e Aeronáutica -, em uma mobilização sem precedentes na história moderna da Grécia. Já para amanhã as manifestações prometem ter mais impacto ao público. Elas forçarão o cancelamento de uma centena de voos domésticos e internacionais, enquanto os hospitais públicos atenderão somente os casos mais urgentes. O denominador comum dos protestos são os cortes salariais, o aumento dos impostos e a elevação da idade de aposentadoria na Grécia, condições aceitas pelo primeiro-ministro Giorgos Papandreou para ter acesso ao pacote de ajuda de 80 bilhões de euros da zona do euro e de 30 bilhões do FMI até 2012. Os protestos, que hoje até nem chegaram a ter grande impacto, contrastaram com uma significativa alta dos mercados internacionais diante do plano de assistência financeira à Grécia, membro da zona do euro desde 2001. O diferencial da dívida grega para dois anos em relação ao referente alemão caiu 243 pontos básicos, situando o rendimento em 11,14%. Já o diferencial para dez anos ficou em 574 pontos básicos, diante dos 662 pontos de sexta-feira passada. A Bolsa de Valores de Atenas, que na semana passada sofreu uma forte queda perante a incerteza de uma possível declaração de moratória da Grécia, fechou hoje com baixa de 0,88%, aos 1.853.55 pontos. O presidente da Bolsa de Atenas, Spyros Capralos, declarou que "a Bolsa e os mercados vão melhorar assim que se convençam e vejam que a Grécia aplica as medidas necessárias para sanear a economia e também à medida que o Banco Central Europeu (BCE) continue apoiando os bônus gregos". A Grécia também recebeu hoje assistência do BCE, que comunicou que aceitará como garantia para empréstimos os bônus nacionais gregos, embora a agência americana Standard & Poor's (S&P) tenha rebaixado na semana passada a solvência do país ao nível dos chamados "bônus lixo". O ministro das Finanças do país, Giorgos Papaconstantinou, elogiou a medida do BCE, mas também criticou a demora da União Europeia em conceder a assistência financeira à Grécia, atribuída em grande parte à reticência da chanceler alemã, Angela Merkel, por imperativos da política interna alemã. Papaconstantinou declarou que a Grécia também está em condições agora de "aproveitar um capital nunca visto em nível mundial" para cumprir seus compromissos. Na busca de culpados pela atual crise financeira da Grécia, com uma dívida acumulada de 273 bilhões de euros, o presidente do país, Karolos Papoulias, exigiu hoje, durante uma reunião com o premiê Papandreou, que sejam castigados os principais responsáveis, como os evasores de impostos. Segundo o presidente, essas pessoas enriqueceram nas últimas décadas ao não pagar os impostos como deveriam. Papoulias expressou sua confiança de que "o povo apoiará os esforços, mas com a condição de que as medidas sejam efetivas e justas, e também acabe com a impunidade", além de "impedir a evasão de impostos". Papandreou, por sua vez, disse que esses princípios têm "um bom apoio por parte do mecanismo europeu" e reiterou que o primeiro trabalho da Grécia "é punir os culpados, porque o sentimento de impunidade destrói e causa dor ao povo". EFE rs-afb/sa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.