Cidadãos ricos e empresas retiraram cerca de R$ 7 bilhões de bancos gregos em fevereiro, segundo o jornal inglês Telegraph

Os bancos gregos estão preocupados com a retirada de dinheiro dos cidadãos mais ricos e das empresas, que estão transferindo seus recursos para fora do país ou para instituições financeiras "mais seguras" para seus ativos, segundo noticia desta terça-feira publicada no jornal inglês Telegraph e destacada por Ricardo Gallo , colunista do iG .

Bancos como o HSBC e o francês Société Générale, que têm muitas filiais na Grécia, estão entre os destinatários do dinheiro dos cidadãos e das empresas gregas nas últimas semanas, segundo o jornal. O private banking do HSBC naquele país foi entupido por empresas, enquanto outros grandes bancos internacionais receberam grande fluxos de dinheiro.

Mais de € 3 bilhões (cerca de R $ 7 bilhões) de depósitos das famílias e empresas gregas deixaram o país em fevereiro, enquanto em janeiro cerca de € 5 bilhões (R$ 11,7 bilhões) foram transferidos ou sacados, de acordo com os últimos dados disponíveis do Banco da Grécia.

Suíça, Reino Unido e Chipre têm sido os maiores destinatários do dinheiro. Os gregos estão transferindo seus recursos para contas no exterior para escapar de medidas fiscais mais punitivas que temem que sejam introduzidas em consequência da crise econômica do país.

John Raymond, analista de bancos da CreditSights, disse que, em uma visita a Atenas na última semana, percebeu que a fuga de capitais foi o problema mais preocupante entre banqueiros grego. "Os próprios bancos estão preocupados com isso porque eles não podem obter financiamento em outro lugar no momento", disse Raymond. "Os bancos gregos não serão capazes de aumentar o volume de crédito se os depósitos não aumentarem, e uma contínua deterioração na sua base de depósitos vai levá-los a cortar ainda mais empréstimos, sufocando o crescimento econômico."

Emissões recentes de títulos do governo grego têm lutado para encontrar alguma demanda, ao mesmo tempo, é crescente o medo de que o país se torne a primeira nação ocidental a declarar uma moratória de sua dívida. Tudo isso está alimentando temores entre os gregos sobre a estabilidade não somente dos bancos, mas também de toda a economia do país.

O jornal destaca que os países da zona euro ainda estão em desacordo em relação a uma ajuda à economia grega. A Alemanha ainda está em discussão com os demais países sobre os juros a serem cobrados à Grécia pelo pacote de empréstimos de emergência. A Alemanha quer as taxas de juro de 6% a 6,5%, enquanto os outros países estão dispostos a aceitar de 4% a 4,5% de juros.

(As informações são do jornal inglês Telegraph)

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