Washington, 7 abr (EFE).- O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Alan Greenspan defendeu hoje sua gestão à frente da entidade durante a gestação da mais grave crise financeira mundial em sete décadas e alertou que, sem mais controles, haverá problemas similares.

Washington, 7 abr (EFE).- O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Alan Greenspan defendeu hoje sua gestão à frente da entidade durante a gestação da mais grave crise financeira mundial em sete décadas e alertou que, sem mais controles, haverá problemas similares. Atualmente com 84 anos de idade, Greenspan conduziu a política monetária dos EUA entre agosto de 1987 a janeiro de 2006. Durante sua gestão, pelo menos duas 'bolhas' especulativas, a das empresas tecnológicas e a imobiliária, inflaram e explodiram. Hoje, Greenspan foi interpelado pela Comissão de Investigação da Crise Financeira (FCIC, na sigla em inglês), criada no ano passado pelo Congresso americano e que deve publicar um relatório com suas conclusões antes de 15 de dezembro. A FCIC começou três dias de audiências nos quais, depois de Greenspan, comparecerão executivos do Citigroup e de companhias hipotecárias, empresas financeiras, agências de crédito, a Controladoria da Moeda e entidades estatais ligadas ao setor imobiliário. Em seu depoimento, o ex-presidente do Fed alertou aos congressistas que as autoridades reguladoras não podem evitar que outra crise aconteça, mas podem limitar seu impacto. Segundo Greenspan, a recente crise financeira pôs em evidência as limitações dos Governos para vigiar o funcionamento dos mercados. "Os reguladores não podem controlar os preços dos ativos e não podem dirigir sua política reguladora e supervisora em função dos movimentos dos preços, nem podem eliminar totalmente a possibilidade de futuras crises", apontou. Greenspan reconheceu que houve erros durante seu longo mandato à frente do Fed, mas assegurou que a política de juros baixos que ele defendeu não foi a principal causa da bolha imobiliária. Para ele, um dos fatores detonantes foi a atividade das agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, que assumiram uma grande carteira de empréstimos hipotecários de baixa qualidade, os quais depois foram 'titularizados'. "Apesar das raízes da crise terem sido globais, o detonador imediato foi a 'titularização' das hipotecas de alto risco dos Estados Unidos", disse. A 'titularização' foi a conversão dos títulos de empréstimos hipotecários em instrumentos de especulação financeira que, incorporados em carteiras, foram vendidos e revendidos nos mercados financeiros globais. Segundo Greenspan, Freddie Mac e Fannie Mae - criadas durante a Grande Depressão como agências estatais para revitalizar o negócio imobiliário e que se tornaram semiautônomas nos anos 70 - espalharam a especulação "pressionadas pelo Departamento de Habitação e pelo Congresso para expandir a moradia acessível". Tudo isso levou a uma inflação dos preços da moradia e a uma crescente especulação com títulos de hipotecas de alto risco. Quando chegou o momento de ajustes de taxas de juros e muitos compradores não puderam pagar, todo o esquema colapsou. Os congressistas da comissão - seis democratas e quatro republicanos - perguntaram a Greenspan sobre sua responsabilidade pessoal e a do Fed na supervisão do sistema bancário e financeiro, e na detecção de um problema que alcançou tal magnitude. "O Federal Reserve, frequentemente em colaboração com as outras agências federais de supervisão do sistema bancário, atuou intensamente na busca de proteções para o consumidor no caso dos empréstimos hipotecários", disse Greenspan. "No entanto, as regras e normas requerem a capacidade de aplicá-las, e a estrutura do Fed durante minha gestão estava muito mais focada na regulamentação e na supervisão do que na aplicação dessas regras", explicou. Greenspan recomendou que o Congresso e o Executivo dos EUA imponham requisitos de capital e garantia muito mais altos para os bancos e as empresas financeiras, além de alertar para a probabilidade de futuras crises financeiras caso esses passos não sejam dados. EFE jab/bba
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