Por Denise Luna

BRASÍLIA (Reuters) - Integrantes do grupo ambientalista Greenpeace deixaram na manhã desta terça-feira cerca de três toneladas de estrume em frente à entrada principal da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília, onde o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte será realizado a partir das 12h, caso uma liminar concedida pela Justiça do Pará seja retirada.

Por Denise Luna

BRASÍLIA (Reuters) - Integrantes do grupo ambientalista Greenpeace deixaram na manhã desta terça-feira cerca de três toneladas de estrume em frente à entrada principal da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília, onde o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte será realizado a partir das 12h, caso uma liminar concedida pela Justiça do Pará seja retirada.

Para o presidente da Aneel, Nelson Hubner, a manifestação em nada reduz o otimismo em relação à realização do leilão ainda nesta terça-feira.

"Com certeza (vamos realizar o leilão)", disse Hubner à Reuters ao chegar à Aneel pela porta lateral, já que a porta principal foi bloqueada devido à manifestação.

O presidente da agência levou na brincadeira a manifestação dos ambientalistas, dizendo que a Aneel vai utilizar o esterco para gerar energia, se não conseguir construir Belo Monte.

Em cima do monte formado pelo esterco dois manifestantes dividiam o espaço com placas com os dizeres "Belo Monte de... problemas" e "Belo Monte de m...", o que eles consideram o melhor símbolo do protesto contra a construção da usina. Eles não entraram com ações contra o leilão, o que ficou a cargo no Ministério Público, segundo os manifestantes.

De acordo com o Greenpeace, essa era "a única maneira de resumir, em uma imagem, a herança maldita que o governo Lula deixa para o país insistindo nessa obra", disse o grupo, em comunicado.

Uma passeata com cerca de 200 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens se juntou aos manifestantes do Greenpeace para tentar chamar a atenção para os impactos ambientais que a usina vai gerar se for construída. Segundo a polícia, cerca de 300 manifestantes estariam no local.

O leilão da usina hidrelétrica, que será construída no rio Xingu, no Pará, foi suspenso pela segunda vez em menos de uma semana, na segunda-feira, pela Justiça do Pará. A Advocacia Geral da União (AGU) voltou a entrar com recurso, que deverá ser julgado ainda na manhã desta terça-feira.

Dois consórcios estão inscritos para disputar o leilão. A tarifa-teto é de 83 reais por megawatt-hora e vence quem oferecer o menor valor. Os investimentos previstos na construção da usina são da ordem de 19 bilhões de reais e o início das operações está previsto para 2015.

A usina terá potência para 11 mil megawatts, mas vai gerar anualmente uma média de 4.750 megawatts por causa do período de chuvas na região. Em alguns períodos, a geração será de apenas 1 mil megawatts, segundo especialistas.

(Com reportagem adicional de Carolina Marcondes e de Fernando Exman, em Brasília)

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