Brasília, 20 abr (EFE).- Ativistas do Greenpeace e movimentos sociais brasileiros protestaram hoje contra a intenção do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva de construir uma represa na Amazônia, apesar do impacto ambiental estar sendo questionado na Justiça.

Brasília, 20 abr (EFE).- Ativistas do Greenpeace e movimentos sociais brasileiros protestaram hoje contra a intenção do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva de construir uma represa na Amazônia, apesar do impacto ambiental estar sendo questionado na Justiça. Os protestos se concentram em frente à sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em Brasília, onde hoje devia ocorrer a licitação das obras da represa que até agora está suspensa por uma decisão judicial de ontem à noite. Apesar isso, os advogados do Governo ainda tentam revogar a decisão, com o objetivo de realizar o leilão da represa de Belo Monte hoje mesmo e iniciar um polêmico projeto que atingirá cerca de 50 mil índios e camponeses de Altamira, município rural situado no estado do Pará. Com a intenção de impedir a realização do leilão, um grupo de ativistas do Greenpeace chegou durante a madrugada à sede da Aneel e jogou com um caminhão carregado de excrementos de cavalo, cujo conteúdo foi jogado na porta do prédio. Além disso, cinco deles se acorrentaram aos portões da Aneel, onde pretendem permanecer para impedir a entrada de funcionários no caso de o Governo conseguir a revogação da sentença que mantém em suspenso o leilão. Os ativistas ainda afixaram cartazes com duras críticas e divulgaram um comunicado condenando "a herança maldita que o Governo Lula deixará ao Brasil por insistir nessa obra". A ação do Greenpeace recebeu apoio de dezenas de índios e camponeses de Altamira, que também estão concentrados no lugar, onde foi anunciada para hoje um grande protesto de movimentos sociais contrários ao projeto. Na segunda-feira à noite, a própria Aneel anunciou a suspensão do leilão, para o qual estão inscritos dois consórcios. A represa de Belo Monte custará US$ 10,6 bilhões, e gerará em média 4.571 megawatts/hora e no pico de geração de energia será capaz de produzir 11.233 megawatts nos períodos de cheia do rio Xingu, um dos principais afluentes do Amazonas. Sua construção deve inundar cerca de 500 quilômetros de floresta amazônica, o que gerou duras críticas de grupos ambientalistas, índios, camponeses e até entre estrelas de Hollywood (Los Angeles, EUA), como o cineasta canadense James Cameron, diretor de "Avatar". Na semana passada, Cameron, junto dos atores americanos Sigourney Weaver e Joel David Moore, dois dos protagonistas do filme, participaram de um protesto realizado por índios e camponeses em frente à sede da Aneel, em Brasília. Conforme o Governo, Belo Monte é uma obra chave para assegurar o abastecimento de energia elétrica e atender a demanda crescente na próxima década. No entanto, até o próprio Ministério Público Federal denunciou o projeto diante da Justiça, por considerar que "colocará em risco a subsistência" de milhares de índios e camponeses, e porque viola normas constitucionais que regulam o desenvolvimento em terras indígenas. EFE ed/dm
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