Seria a primeira vez que um país da zona do euro recorreria a assistência financeira exterior para evitar quebra

Atenas - O ministro das Finanças da Grécia, Yorgos Papaconstantinou, iniciou nesta quarta-feira em Atenas negociações com uma delegação do FMI, do Banco Central Europeu (BCE) e da Comissão Europeia (CE) sobre as condições para receber uma série de ajudas para acertar as contas públicas gregas.

Papaconstantinou afirmou na terça-feira que "o Governo decidirá ativar o mecanismo de apoio quando for necessário", naquela que seria a primeira vez que um país da zona do euro recorreria a assistência financeira exterior para evitar quebra.

As conversas com as autoridades gregas estão destinadas a acertar os detalhes do acordo firmado no dia 25 de março entre os parceiros europeus, que puseram à disposição de Atenas créditos de 30 bilhões de euros, com juros próximos de 5%, e o FMI com outros 15 bilhões e taxa de juros inferior.

As delegações avaliarão a situação fiscal do país e negociarão as medidas e condições para a ajuda se Atenas solicitar, mas Papaconstantinu reiterou que essas negociações "não necessariamente terminarão em acordo".

O ministro afirmou também que as negociações terão como ponto de partida o Programa de Estabilidade e Desenvolvimento grego aprovado pela União Europeia em fevereiro, que contemplava profundos cortes no gasto público e aumento dos impostos, assim como mudanças estruturais no sistema fiscal e administrativo do país.

"Não assumiremos medidas adicionais para 2010", assegurou o político, mas não descartou novas medidas para 2011 e 2012, já que a ajuda externa se baseará em um programa de três anos para reverter o elevado déficit fiscal.

Coincidindo com as negociações, sindicatos dos setores privado e público da Grécia convocaram greves para quarta e quinta-feira contra as medidas de austeridade governamental.

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