Frankfurt (Alemanha), 24 mar (EFE).- A cotação do euro ficou abaixo de US$ 1,34 pela primeira vez em dez meses, em meio às diferenças na União Europeia (UE) sobre as ajudas à maltratada economia grega e após a decisão da agência Fitch de diminuir a qualificação do risco creditício de Portugal.

A divisa europeia, que nas últimas semanas vem apresentando um claro ciclo de baixa, foi negociada hoje a US$ 1,3353, contra US$ 1,3534 do dia anterior.

"O tema onipresente no mercado se chama Grécia e a falta de unidade na UE sobre como responder a uma situação que pode se complicar ainda mais com o rebaixamento da qualificação da dívida soberana de Portugal", afirmou Viola Stork, o especialista em moeda estrangeira do banco Helaba, no fechamento do mercado.

Anteriormente, o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, voltou a pedir aos Governos da zona do euro a acordar o mais rápido possível um instrumento financeiro para socorrer a Grécia caso necessário.

"A Comissão acredita que é o momento de criar um instrumento de ação coordenada que possa ser utilizado para ajudar à Grécia em caso de necessidade", disse o presidente do Executivo comunitário.

Barroso insistiu em que esse mecanismo seria uma sorte de "rede de segurança" que só se utilizaria "em caso que se esgotassem outras soluções" e que permitiria à Grécia aceder a financiamento nos mercados a um preço normal.

A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a insistir em que dirá "não" a tudo o que envolver uma ajuda "precipitada" à Grécia.

A queda da moeda europeia também foi afetada hoje pela decisão da agência Fitch de diminuir a qualificação creditícia de Portugal.

Segundo a analista Viola Stork, os investidores temem que "Portugal possa se transformar no segundo problema agudo da zona do euro".

Segundo a Fitch, o rebaixamento responde aos maus resultados orçamentários de Portugal durante 2009, que levaram o déficit público a 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Isto aumentou significativamente o desafio fiscal para estabilizar e reduzir a dívida no médio prazo. O Governo português terá que aplicar medidas de consolidação a partir do próximo ano, além do plano de estímulo fiscal deste ano, para conseguir um déficit de 3% em 2013", diz a Fitch.

A agência de classificação de riscos argumentou que o PIB per capita de Portugal - US$ 22.080 em 2008 - e a tendência de crescimento "estão significativamente abaixo da média dos países com qualificação 'AA'", mas considerou positivos e críveis os planos de ajuste aprovados pelo Governo.

No entanto, o economista-chefe da M.M Markets, David Rodemann, afirmou que "o frágil crescimento de Portugal vai contra o êxito no médio prazo dos planos de consolidação de Lisboa.

Segundo Rodemann, "na zona do euro, apenas a Alemanha vai bem".

O instituto de pesquisa econômica alemão Ifo informou hoje que a confiança do empresariado no país melhorou significativamente em março, assim como as perspectivas de negócio para os próximos seis meses, com a percepção de uma melhora da atividade em todos os setores.

Na UE, em contrapartida, a carteira de pedidos caiu 2% em janeiro, contra o crescimento de 1,98% apontado na maioria das previsões.

Especialistas temem que a crise da Grécia e a difícil situação de outros países da zona do euro impedirão que a recuperação econômica ganhe o vigor desejado.

Diante deste panorama, é pouco provável que o Banco Central Europeu (BCE) aumente a taxa básica de juros, atualmente em 1%, o que, de acordo com os analistas, alimentará "a fraqueza do euro".

EFE cv/bba

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