O governo da Grécia deu ontem um ultimato à União Europeia, sugerindo aos líderes nacionais que tomem até a próxima semana uma decisão sobre a criação ou não de um plano de socorro às finanças de países em crise. Falando ao Parlamento Europeu, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, insinuou que, na ausência de uma solução interna, vai procurar o Fundo Monetário Internacional (FMI) para refinanciar suas dívidas de curto prazo.

Impaciente, o governo da Alemanha já aceita a saída, considerada "vergonhosa" para o bloco.

A guerra de bastidores entre os governos da Grécia e da Alemanha em torno de um plano de socorro às finanças de Atenas tornou-se pública na quarta-feira. Em discurso aos 600 membros do Parlamento do país, a chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu a expulsão da zona do euro dos países que não cumpram as exigências do Pacto de Estabilidade da União Europeia. "Nós devemos poder excluir um país da zona do euro se ele se recusar de forma reincidente a cumprir seus compromissos", disse a chanceler.

Contra a parede. A resposta grega veio ontem. Em pronunciamento na Comissão Especial do Parlamento Europeu que investiga a crise, Papandreou afirmou que a solução proposta por Merkel não resolveria o problema, e a seguir pôs a União Europeia contra a parede. Ele propôs que a próxima reunião de cúpula dos 27 chefes de Estado e de governo, marcada para a próxima semana, seja "a ocasião de tomar uma decisão" sobre um mecanismo de socorro aos países em crise.

"É uma oportunidade que não podemos perder. Nós não pedimos dinheiro dos alemães, dos franceses, dos italianos ou dos outros trabalhadores ou contribuintes", reiterou. Segundo Papandreou, a Grécia quer apenas "tomar dinheiro emprestado com taxas de juros normais".

O governo grego tem dívidas estimadas em ¿ 300 bilhões - ou 113% do Produto Interno Bruto (PIB) - e precisa de ¿ 54 bilhões para se refinanciar em 2010. Destes, pelo menos ¿ 20 bilhões são dívidas com vencimento entre abril e maio.

Em razão de suas dificuldades financeiras, Atenas não consegue obter empréstimos no mercado com juros inferiores a 6%, considerados extorsivos pelo governo.

"O que nós precisamos é de apoio político forte, o que nos permitirá fazer as reformas necessárias e nos garantir que não pagaremos mais do que o necessário para implantar essas reformas", justificou o primeiro-ministro.

No início da semana, os ministros de Economia e Finanças dos 16 países da zona do euro haviam chegado a um acordo de princípios para um "mecanismo de ajuda" à Grécia "em caso de necessidade". O plano, porém, não foi detalhado e ainda precisa do aval político dos 27 países que compõem a União Europeia.

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