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Adriana Flores Bórquez. Atenas, 15 abr (EFE).

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 15 abr (EFE).- A Grécia pediu hoje aos países da zona do euro e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a abertura de conversas para fixar um programa plurianual que concretize seus anunciados empréstimos. O ministro das Finanças grego, Giorgos Papaconstantinou, enviou nesta quinta-feira uma carta à Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), ao Banco Central Europeu (BCE) e ao FMI na qual pede que se discutam os termos da ajuda oferecida por esses organismos. "De acordo com a declaração de 11 de abril de 2010 sobre o apoio à Grécia por parte dos Estados-membros da zona do euro, as autoridades da Grécia solicitam discussões com a Comissão Europeia, o BCE e o FMI", diz Papaconstantinou na carta. Uma fonte do Ministério das Finanças grego explicou à Agência Efe que a carta "faz parte de uma negociação normal que o Governo deveria fazer para oficializar a discussão entre especialistas que acontece desde 12 de abril em Bruxelas para definir os detalhes sobre o mecanismo de ajuda". "Não se trata de nenhuma maneira da ativação do mecanismo de ajuda à Grécia", insistiu a fonte, que pediu para que sua identidade não fosse divulgada, antes de dizer que Atenas pede que se determine com detalhes o tipo de ajuda e as condições não só para este ano, mas também para 2011 e 2012. "A estabilidade é um fator de avaliação sobre se a Grécia ativará o mecanismo (europeu) ou não, além de nossas necessidades de crédito", assegurou o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, durante a reunião do conselho de ministros. Papandreou ressaltou que o principal é garantir "segurança", já que "mesmo se as taxas de juros forem favoráveis, o problema pode ser que volte a acontecer nas semanas seguintes, e isso exerce um terrorismo psicológico nos mercados". O chefe do Governo grego destacou que a colaboração com a Comissão, o BCE e o FMI é "um fato" e lembrou que existe uma supervisão que demonstra que a UE "nem sempre se garante em suas próprias forças; por isso existe o FMI". No domingo passado, os países da zona do euro decidiram conceder à Grécia, caso necessário, um empréstimo de 30 bilhões de euros, com uma taxa de juros perto dos 5%. Seria a primeira vez desde a criação do euro, em 1999, que um país usuário da moeda recebe ajuda de seus parceiros e do FMI devido a problemas financeiros. O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, anunciou hoje em Washington que enviará na segunda-feira uma equipe à Grécia para iniciar as conversas sobre os detalhes de um possível programa plurianual de empréstimos. "Decidi enviar uma equipe do FMI a Atenas para começar as conversas com as autoridades gregas nesta próxima segunda-feira sobre as políticas que poderiam formar as bases para a assistência financeira", disse Strauss-Kahn. Se as duas partes chegarem a um acordo, a entidade concederia empréstimos à Grécia durante "vários anos", mas o organismo não quis antecipar quanto emprestaria ao país - se fala de entre dez e 15 bilhões de euros. A porta-voz do FMI, Caroline Atkinson, explicou que, segundo as normas da entidade, a taxa de juros será de 3,26% se os empréstimos passarem de US$ 3 bilhões. O novo passo dado pelo Governo grego deu um leve fôlego à dívida grega. O diferencial entre o bônus grego e o "Bund" alemão, que tinha subido hoje até os 426 pontos básicos, reagiu em baixa após a divulgação da carta e voltou a ficar abaixo das 400 unidades. O índice ATHEX da Bolsa de Valores de Atenas fechou em alta de 2,07%, aos 2.208 pontos. O Governo grego adotou um estrito plano econômico que pretende reduzir o déficit público em quatro pontos percentuais em 2010, até 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB). EFE afb-jk/bba
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