Adriana Flores Bórquez. Atenas, 23 abr (EFE).

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 23 abr (EFE).- A Grécia decidiu hoje se render à evidência de sua profunda crise financeira e solicitou oficialmente a ativação do pacote de ajuda de créditos projetado pelos países da zona do euro. A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro Yorgos Papandreu, responde às pressões dos mercados internacionais para que a Grécia busque ajuda financeira e garanta que poderá continuar fazendo seus pagamentos, perante os crescentes rumores de uma possível quebra estatal. "Enfrentamos um caminho difícil. É imperativo que peçamos a ativação deste mecanismo", declarou Papandreu da ilha grega de Kastelorizo. Foi justamente deste local onde o líder socialista aceitou a mão estendida no dia 11 de abril pelos países do euro, em forma de empréstimos bilaterais no valor de 30 bilhões de euros. "Nós esperamos, e nossos parceiros na União Europeia esperam, que esta decisão seja suficiente para acalmar os mercados e que assim possamos continuar financiando nosso país com taxas de juros mais baixas", disse o primeiro-ministro. Por enquanto, o anúncio empurrou para o alto a Bolsa de Valores de Atenas em 3,16%, enquanto o diferencial do bônus de dez anos grego em relação ao "Bund" alemão caiu para 493 pontos básicos, embora por volta das 10h (horário de Brasília) havia voltado para os 519 pontos básicos. O pedido de auxílio chegou após um dia negro na qual à Grécia lhe caíram golpes desde diferentes pontos. O Eurostat revisou para cima seu déficit de 2009, para 13,6% do PIB; a agência Moody's colocou a qualificação da dívida grega à beira do "bônus lixo"; e o diferencial entre o bônus grego e o referente alemão alcançou um recorde de 576 pontos, enquanto que o custo da dívida grega chegou a 8,9%. Papandreu não precisou hoje o volume de créditos que pedirá a seus parceiros da eurozona e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), também envolvido na operação de resgate. Por enquanto, o ministro das Finanças, Yorgos Papaconstantinu, viajará este fim de semana a Washington para negociar com o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, as condições do crédito de até 15 bilhões de euros que o organismo poderia fornecer. Diversos cenários cogitados pela imprensa grega já falam inclusive de uma antecipação de ajuda por parte do FMI de 3 bilhões de euros a juros de 2,86%. Em sua oferta do dia 11 de abril, o Eurogrupo propôs juros de 5% para o crédito europeu, abaixo de 6,5% que a Grécia estava pagando nos mercados internacionais. Papandreu disse que tanto Atenas como a eurozona tinham confiado em que a simples colocação à disposição desse mecanismo "ia ser suficiente para tranquilizar os mercados e poder continuar pedindo créditos a taxas de juros baixas, mas os mercados não responderam". Só durante o mês de maio, a Grécia deve desembolsar 10 bilhões de euros para enfrentar suas obrigações de pagamento. No total, calcula-se que o país se endivide em 273 bilhões de euros, 115,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Papaconstantinu assegurou hoje que "sem dúvida alguma, por volta do dia 19 de maio a Grécia terá 9 bilhões de euros de capital que precisa para seus pagamentos". O ministro confirmou que já falou por telefone com Olli Rehn, comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários; com o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Lucas Papademos; e com seus colegas europeus. Nesse sentido, afirmou que "não há indícios de dificuldades" para que a ajuda seja aprovada pelos Parlamentos nacionais, como no caso da Alemanha. Mas se parece que os parceiros europeus não criarão problemas, os sindicatos gregos criticaram o pedido de ajuda como uma desculpa para justificar mais medidas de economia e corte do gasto público e advertiram que continuarão suas mobilizações nas ruas do país. EFE afb-as/ma
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