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Gravidade da crise fará FMI pedir mais recursos em cúpula do G20

César Muñoz Acebes Washington, 12 nov (EFE).- Os US$ 250 bilhões aos quais tem acesso o FMI podem parecer um número estupendo, mas a entidade pedirá mais fundos na cúpula do G20 desta semana pelo temor que não sejam suficientes para responder à crise.

EFE |

Há tão somente um ano, o problema do Fundo Monetário Internacional (FMI) era a falta de clientes, enquanto agora que a crise avança pel leste europeu, a questão é se ele poderá satisfazer todas as chamadas de ajuda.

O Fundo estendeu empréstimos a Islândia, Hungria e Ucrânia, e negocia com o Paquistão e Belarus, mas até agora não se viu obrigado a socorrer um país emergente grande.

"Se o mercado sabe que (o FMI) conta com suficientes recursos, reduz-se a ansiedade, que leva às quedas (das bolsas) e gera temor", disse à Agência Efe George Abed, ex-diretor do departamento do Oriente Médio e do Norte da África da entidade.

Neste momento, os investidores não têm essa certeza. O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, reconheceu, em carta enviada aos membros do G20, a preocupação nos mercados sobre o nível de recursos da entidade.

Por isso, pediu que na cúpula desta semana, os chefes de estado se comprometam a dar mais fundos ao FMI ou a pôr dinheiro sobre a mesa de forma bilateral quando a entidade firme um programa de crédito com um país.

"O FMI vai precisar de, provavelmente, US$ 1 trilhão para cumprir a tarefa", disse hoje em um encontro com a imprensa Simon Serfaty, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (Csis, na sigla em inglês).

Abed sugeriu que o Fundo bata na porta da China, do Japão e dos países produtores de petróleo, que contam com grandes reservas.

No entanto, para entregar esse dinheiro, as nações exigirão mais poder de voto na instituição, segundo Serfaty.

Apesar da recente reforma, os países europeus como grupo têm maior representação proporcional no FMI.

Os Estados Unidos têm capacidade para aumentar sua contribuição, mas "a atual Administração não o fará", segundo disse hoje à imprensa Brad Setser, analista do Conselho de Relações Exteriores.

Dar dinheiro ao Fundo significa perder parte do controle de seu uso, acrescentou.

Está para se ver se a futura Administração de Barack Obama traduzirá seu discurso em prol do multilateralismo em mais recursos para a principal agência pública de coordenação econômica.

À parte dos fundos, na cúpula se debaterá que função deverá desempenhar o FMI diante da crise.

A Europa, que tem voz preponderante, pediu que a entidade assuma um "papel central", mas não definiu de que forma.

Tradicionalmente, o organismo atuou como entidade que faz empréstimos de último recurso a países com problemas em seu balanço de pagamentos pela fuga súbita de capital estrangeiro.

No entanto, carece das ferramentas para enfrentar uma crise nos mercados financeiros como a atual, segundo Abed.

"Durante a crise asiática (de 1997) improvisamos, mas não achamos novos instrumentos para preparar o FMI para isto", disse Abed, atualmente um alto diretor do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), maior associação de bancos do mundo.

O IIF pediu ao FMI que reveja sua missão e se transforme em um vigilante da estabilidade dos mercados financeiros.

Para isso terá que abandonar seu relativo isolamento, afirma Yusuke Horiguchi, economista-chefe do IIF, que disse à Efe que o Fundo "não está realmente aberto à idéia de diálogo com o setor privado, embora esteja aprendendo".

O organismo deu um passo adiante, segundo os analistas, ao oferecer empréstimos de emergência incondicional a países com boas políticas econômicas, mas com problemas de liquidez.

Com isso, "pretende reduzir o estigma" de que os Governos não contam com nenhuma outra fonte de financiamento, segundo Setser.

O FMI destinou US$ 100 bilhões ao novo programa e disse que o revisará uma vez que o Fundo se esvazie. Porém, somente o Brasil já utiliza mais do que o dobro desta quantidade em reservas.

Se o Brasil entrar em apuros, o Fundo terá que chamar outros países. EFE cma/jp

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