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Gravação traz autocrítica do delegado Protógenes Queiroz

BRASÍLIA - Depois de uma reunião fora da agenda oficial entre o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo decidiu divulgar um pequeno trecho - cerca de cinco minutos - da tensa reunião na qual foi decidido o afastamento do delegado Protógenes Queiroz, comandante da Operação Satiagraha. A intenção do Executivo era afastar as suspeitas de que Protógenes tivesse sido degolado das investigações, segundo expressão cunhada por um auxiliar.

Valor Online |

No áudio divulgado pela Polícia Federal, Protógenes afirma que, após retornar do seu curso na Academia, não gostaria de seguir presidindo o inquérito. Mas sugere continuar na investigação com outras funções. Ficaria num trabalho de inteligência, coletando dados . É interrompido por um dos superiores - tudo indica que seja o diretor de combate ao crime organizado, Roberto Troncon Filho. Se eventualmente, nesse período, você conseguir concluir o seu trabalho antes de você ir para a Academia, sem nenhum problema. Se não conseguir, se requer mais tempo, mais análise, aí a gente passa para um dos colegas .

Protógenes também reconhece aquilo que é um das maiores críticas contra ele: o vazamento da operação para a imprensa. O Queiroz falhou porque o doutor Troncon (o diretor de Combate ao Crime Organizado) me depositou (confiança) e eu firmei um compromisso com ele. Mas falhou ao meu controle , afirma Protógenes, referindo-se a si próprio em terceira pessoa. O ex-presidente do inquérito agradece o apoio dado por seus superiores e acredita não haver óbices para concluir o seu inquérito até hoje, antes de iniciar as aulas no curso de aperfeiçoamento da PF. Só faltava eu falar com o Humberto (Humberto Braz), mas o Humberto se apresentou (entregou-se na quarta à Polícia Federal) , afirma Protógenes, no trecho editado divulgado pela PF.

Alegando necessidade do sigilo das investigações, a íntegra da conversa - que aconteceu na tarde de terça, em São Paulo e durou aproximadamente três horas - entre os delegados que conduziram a Satiagraha e a cúpula da PF não foi revelada. Mas fontes da cúpula da polícia confirmam o clima de lavagem de roupa suja . Pessoas presentes à reunião na PF confirmam que o clima de hostilidade mútuo, crescente nos momentos anteriores à operação e insustentáveis após a eclosão das prisões, tornou difícil a convivência entre os delegados.

A decisão de divulgar partes da conversa, omitindo os momentos mais tensos foi selada no encontro da manhã de ontem, no Planalto. O presidente Lula e o ministro Tarso Genro conversaram pelo menos seis vezes por telefone ao longo da quarta. Lula mostrou estar profundamente incomodado com a versão dominante na imprensa, de que o governo tirara Protógenes do inquérito pelas pressões exercidas pelos investigados na Operação Satiagraha.

Na manhã de ontem, Genro ligou para o diretor-interino da Polícia Federal, Romero Menezes, convocando-o para uma reunião com o presidente. No encontro, Genro deixou claro a Lula que Protógenes havia deixado a presidência do inquérito para dedicar-se ao seu curso e que prometera concluir seu relatório até hoje. Nós dissemos ao presidente que havia informações distorcidas na imprensa. Algumas pessoas de boa-fé estavam repassando informações erradas e outras, de má-fé, agiram por interesse próprio , declarou Genro.

O ministro da Justiça acentua que todos os presentes na reunião na PF, em São Paulo, sabiam que a conversa estava sendo gravada. Tanto ele quanto Romero estavam dispostos a divulgar os trechos da conversa para a imprensa. Só aguardavam o aval do presidente. Lula teria defendido a divulgação do áudio, para que essas coisas sejam esclarecidas para a sociedade , porque o conteúdo do áudio não é o que está saindo nos jornais .

Romero Menezes está substituindo o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, que tirou 15 dias de férias em plena crise. Ele já tinha essas férias marcadas e eu disse que não havia nenhum motivo para que elas fossem transferidas, pois tudo estava sob controle , afirmou Genro. Coube então a Menezes ouvir as palavras de estímulo do presidente ontem, dizendo que a Polícia Federal estava fazendo um grande trabalho . Na segunda, Genro fora duramente criticado pelo uso de algemas na prisão dos envolvidos. Por que humilhar assim as pessoas? questionou o presidente.

Ontem, Lula foi mais solidário, mas alertou Menezes sobre os cuidados necessários em uma operação deste porte. Vocês estão mexendo com grandes interesses que estão sendo contrariados. E quando isso acontece, ninguém sabe exatamente o que pode acontecer , alertou o presidente, segundo relato do ministro ao Valor.

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico)

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