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Grandes bancos prometem reformas para conter crise financeira

Teresa Bouza Washington, 17 jul (EFE).- Os grandes bancos mundiais, agrupados no Instituto de Finanças Internacionais (IIF), reconheceram hoje terem responsabilidade na atual crise financeira global e prometeram reformas para evitar que isso se repita.

EFE |

"A indústria de serviços financeiros reconhece plenamente sua responsabilidade", disse Josef Ackermann, presidente do gigante financeiro alemão Deutsche Bank e do IIF, a principal associação de bancos do mundo com mais de 380 membros.

"Admitimos que existiram sérias debilidades nas práticas empresariais de um número de firmas, que contribuíram significativamente para ampliar os problemas da indústria de serviços financeiros e a economia em seu conjunto", comentou o presidente do Deutsche Bank em coletiva de imprensa.

"É essencial que a indústria passe por uma reforma", concluiu Ackermann, que falou em nome do setor e explicou que as mudanças propostas são necessárias para que investidores e mercados recuperem a confiança perdida na indústria financeira.

Essas reformas, detalhadas em um relatório de 200 páginas apresentado hoje em Washington por Ackermann e outros altos executivos do setor, representam a resposta dos bancos à instabilidade global, desencadeada por causa da crise no setor de hipotecas de alto risco iniciada nos Estados Unidos em meados do ano passado.

As ondas expansivas dessa crise, que muitos culpam às agências de classificação de risco e aos próprios bancos pela titulação de ações hipotecárias de alto risco que se comercializaram como valores de grande qualidade, são sentidas em várias partes do mundo.

Para conter a crise nos mercados e o endurecimento do acesso ao crédito, Ackermann e seus colegas propuseram melhorar a gestão de riscos, as políticas de compensação aos profissionais do setor e a valorização de ativos.

Os porta-vozes do IIF disseram que existe também consenso no setor sobre a necessidade de reformar a gestão da liquidez e a qualificação de produtos estruturados.

Além disso, os gigantes dos bancos, acusados no último ano de obscurantismo, parecem coincidir agora que é preciso aumentar a transparência.

Ackermann disse que o relatório recém-apresentado conta com um "forte e amplo respaldo" e acrescentou que confia que o grosso do processo de reformas seja finalizado no fim do ano.

O estudo assinalou que as firmas se comprometem a abordar avaliações críticas e regulares e a ajustar seus planos e políticas conforme necessário.

O responsável pelo Deustsche Bank assegurou que a atual crise financeira aproxima-se do fim, mas alertou que continuará a ameaça inflacionária, fruto dos altos preços da energia.

Ele também insistiu que as propostas de reforma não só ajudarão a contornar a situação atual, mas também servirão para prevenir crises futuras a partir da criação de um Grupo de Supervisão de Mercado (MMG) para detectar debilidades nos mercados e no sistema financeiro.

Já Rick Waugh, presidente do banco canadense Scotiabank, afirmou que o setor bancário pagou "muito caro" por seus erros e assinalou que o papel da indústria bancária é "essencial", tanto para os mercados financeiros como para o futuro das economias globais.

O relatório destacou que, pensando no futuro, os incentivos salariais aos profissionais do setor deveriam refletir os interesses dos acionistas e uma visão de lucro a longo prazo, sem assumir um risco excessivo.

Igualmente importante é reforçar o acesso à liquidez, ultimamente escassa nos mercados.

Para isso, segundo os banqueiros, é necessário que o setor leve em conta a liquidez na hora de planejar, desenvolver produtos financeiros e tomar decisões empresariais.

Além disso, o setor concorda sobre a importância de uma padronização e harmonização no mercado de produtos estruturados.

Mais de 100 altos executivos de 65 grandes instituições financeiras participaram da elaboração do relatório durante os últimos nove meses. EFE tb/ab/rr

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