SÃO PAULO - É mais fácil faltar crédito de tíquete elevado para grandes companhias do que para as pequenas na atual conjuntura, disse hoje o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. A afirmação do executivo contraria o argumento de que os bancos estariam cortando os empréstimos para as empresas de menor porte.

"Nunca mais vamos voltar àquele nível de liquidez visto antes da crise", afirmou Setubal, para justificar a dificuldade de atender todos os pedidos, em especial das grandes empresas, que antes se financiavam no mercado externo e agora procuram o sistema bancário local.

Segundo ele, antes do agravamento da turbulência internacional, as grandes corporações chegavam à porta dos bancos pedindo somas elevadas - como R$ 5 bilhões de uma única vez, por exemplo - e conseguiam os recursos. Hoje, não há dinheiro disponível para operações desse tipo.

De acordo com Setubal, uma prova de que os bancos não estão com excesso de caixa e que a liquidez ainda está apertada é que o custo de captação segue acima da variação do CDI. Se o mercado estivesse muito abastecido de dinheiro, os grandes bancos estariam pagando menos que esse índice de referência para se financiar.

Para o cenário de crédito em 2009, o presidente do Itaú Unibanco segue apostando numa expansão da ordem de 15%, considerando que deve haver um crescimento próximo de 2,5% para o Produto Interno Bruto (PIB).

Ele ressalta, no entanto, que quem determina o ritmo de expansão dos empréstimos são os tomadores e não o banco. "É o mercado que puxa", disse ele, admitindo que a carteira corporate deve crescer diante da queda da liquidez internacional.

(Fernando Torres | Valor Online)

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