Os números que o governo da Grécia e o mercado financeiro tanto esperavam foram revelados ontem, em Bruxelas. Depois de dois meses de discussões, muitas idas e vindas, os ministros de finanças da União Europeia anunciaram um pacote de auxílio ao governo grego no valor de ¿ 30 bilhões.

Os números que o governo da Grécia e o mercado financeiro tanto esperavam foram revelados ontem, em Bruxelas. Depois de dois meses de discussões, muitas idas e vindas, os ministros de finanças da União Europeia anunciaram um pacote de auxílio ao governo grego no valor de ¿ 30 bilhões. O montante, acrescido de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), servirá para refinanciar a dívida do país em 2010. O programa pode se estender por 36 meses, chegando a ¿ 80 bilhões. O acordo foi selado ontem, em Bruxelas, após uma reunião de urgência, realizada por teleconferência, entre os ministros de Finanças do Eurogrupo - o conjunto de países da zona do euro. Falando em nome da União Europeia, o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, confirmou que os países do bloco preveem para 2010 uma linha de crédito de ¿ 30 bilhões - o primeiro programa de socorro da história do euro, moeda criada em 1999. O premiê informou ainda que o valor será complementado por recursos do FMI. "Os membros da zona do euro colocarão fundos à disposição da Grécia via empréstimos bilaterais", explicou. O premiê de Luxemburgo disse que todos os demais 15 países que adotam a moeda única participarão do esforço, de acordo com o tamanho de seu Produto Interno Bruto (PIB) e de sua população, critério idêntico ao que define as contribuições ao Banco Central Europeu (BCE). "O montante para os anos seguintes serão determinados posteriormente, em função da evolução da situação financeira da Grécia", afirmou Juncker. Detalhes da negociação vieram à tona em Atenas por meio do ministro das Finanças da Grécia, Georges Papaconstantinou. Segundo ele, ao empréstimo da UE se somam outros ¿ 10 bilhões do FMI. Mais ¿ 40 bilhões podem vir a ser postos à disposição do governo grego entre os anos de 2011 e 2012, em caso de necessidade. A operação obedecerá aos mesmos critérios dos pacotes de ajuda do fundo, com taxas de juros estáveis de 4,90% a 5%, disse o ministro. Mesmo com o acordo, entretanto, autoridades europeias e gregas ressaltaram que o país ainda não formalizou o pedido de ajuda. "O governo não solicitou a ativação do mecanismo, porque nós acreditamos que podemos continuar a tomar emprestado sem problemas nos mercados", afirmou Papaconstantinou à agência ANA, classificando o dinheiro da UE e do FMI como "uma linha de segurança". Na prática, o anúncio funciona como um instrumento de pressão da União Europeia sobre o sistema financeiro e o mercado, que vinham exigindo da Grécia juros de até 7,3% na última semana. Munido da possibilidade de pedir dinheiro aos vizinhos e ao FMI, o governo grego pretende retornar aos bancos privados, esperando condições melhores de empréstimo. "Nós veremos como evoluirão os mercados e os spreads no curso dos próximos dias e semanas", reconheceu Papaconstantinou. Segundo o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, o mecanismo já está em vigor e pode ser acionado a qualquer momento por Atenas, caso necessário. Planos. Hoje, um grupo de técnicos gregos deve se encontrar com especialistas da Comissão Europeia, do BCE e do FMI para definir uma estratégia. A dívida grega, que atingiu em dezembro ¿ 300 bilhões - ou 113% do PIB - precisa ser renegociada com urgência, sob pena de, em caso contrário, levar o país à falência. Apenas no mês de maio, a Grécia precisará de ¿ 11 bilhões para refinanciar sua dívida de curto prazo. Em 2010, o valor pode chegar a ¿ 53 bilhões. Motivada pela degradação das finanças públicas do país, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota da dívida grega na última sexta-feira, de BBB+ para BBB-, com tendência à declínio.
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