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Acossado pela onda de especulações sobre a suposta degradação das contas públicas do país, o governo da Grécia anunciou ontem ter reduzido em 40% seu déficit fiscal no primeiro trimestre de 2010. Amparado pela cifra, que trás dados apenas parciais, o governo afirmou ainda não necessitar, "por enquanto", de recursos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para garantir sua solvência.

Acossado pela onda de especulações sobre a suposta degradação das contas públicas do país, o governo da Grécia anunciou ontem ter reduzido em 40% seu déficit fiscal no primeiro trimestre de 2010. Amparado pela cifra, que trás dados apenas parciais, o governo afirmou ainda não necessitar, "por enquanto", de recursos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para garantir sua solvência. Em Frankfurt, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou que a falência grega está "fora de questão". As incertezas sobre a saúde financeira da Grécia voltaram a aumentar em razão de informações extraoficiais indicando que o déficit do país teria crescido no primeiro semestre, dos 12,7% registrados de dezembro, para 12,9%. Alguns jornais de Atenas chegaram a cogitar que o índice estaria na casa de 14%. Ontem, as ações dos bancos e os títulos da dívida do governo foram afetados pela desconfiança sobre a capacidade de o país honrar seus compromissos. A bolsa de valores chegou a cair 5% durante o dia, mas reagiu depois das declarações de Trichet, fechando em queda de 3,1%. Preocupado com as especulações, Georges Papaconstantinou, ministro das Finanças, foi ao parlamento. "O déficit do primeiro trimestre de 2010 passou de ¿ 7,1 bilhões em 2009 para ¿ 4,3 bilhões neste ano", afirmou, "isso prova que o governo está no caminho de atingir o objetivo de um déficit de 8,7% do PIB em 2010". Os números apresentados, porém, têm caráter parcial, e não computam despesas com seguro social e gastos de administrações regionais. Assim, o cenário ainda não se enquadra nas regras contábeis europeias. O porta-voz do governo, Georges Petalotis, afirmou que o país não cogita, por ora, recorrer à União Europeia e ao FMI para obter empréstimos. Até aqui, a Grécia têm captado recursos - quase ¿ 20 bilhões só nesse ano - em instituições privadas, a juros que chegam ao recorde de 7,1%. "Não há razões para tomar essa iniciativa nesse momento", afirmou Petalotis, referindo-se ao apelo à UE e ao FMI. Trichet. As demonstrações de confiança sobre a Grécia também vieram do exterior. Falando em Frankfurt, Trichet se mostrou convicto que o risco de falência em Atenas é zero. "Eu diria que, em função de todas as informações das quais eu disponho, um default está fora de questão para a Grécia." Apesar da manifestação de apoio, Trichet elogiou o fundo, classificando-o como "parceiro" da UE. "Eu jamais disse que não queria o FMI", argumentou, referindo-se à participação do organismo internacional em um eventual empréstimo à Grécia. "O que eu disse é que nós não queremos só o FMI, porque a mensagem é que nós somos capazes de gerenciar a zona euro."
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