O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçaram não comparecer ontem à Câmara dos Deputados para falar sobre a crise se a oposição não recuasse da decisão de chamar quatro economistas para participar da audiência. A presença de Meirelles e Mantega só foi garantida depois que o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), acertaram com a oposição que a sessão seria exclusiva para os deputados.

"Isso mostra que o governo não quis enfrentar o debate sobre a crise internacional", afirmou o deputado Luiz Paulo Veloso Lucas (PSDB-ES).

Fontana explicou que a intervenção dos economistas no debate poderia provocar instabilidade no mercado. "A fala dos ministros é medida milimetricamente", afirmou. "Eles estão pilotando a Fórmula 1 real e os economistas estão no simulador. No simulador vale tudo."

Haviam sido convidados pelos deputados para participar da sessão da oposição o economista-chefe da Capital Markets, Tony Volpon, os ex-diretores do BC Carlos Eduardo de Freitas e Ilan Goldfajn, e Rubens Oliveira, da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. Quando souberam que não poderiam fazer perguntas, todos foram embora.

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