SÃO PAULO - Os partidos aliados do presidente colombiano, Álvaro Uribe, mantiveram a maioria expressiva no Senado e devem conseguir o mesmo na Câmara dos Deputados, nas eleições legislativas de domingo. O Partido de la U, de Uribe, foi o maior vencedor, devendo ficar com 27 das 102 cadeiras do Senado.

Apesar da vantagem, o resultado não deve ser visto como uma indicação de uma vitória fácil do candidato à Presidência do partido, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos. A eleição presidencial acontece em 30 de maio.

Resultados preliminares apontam que os quatro partidos da base governista obtiveram 66 cadeiras no Senado. Hoje, eles têm 72. O Partido Conservador, também uribista, deve ficar com 23. Os dados da apuração para a Câmara não tinham saído até ontem à noite, mas pesquisas apontam que os partidos da base terão a maioria.

Para Patrick Esteruelas, analista da consultoria Eurasia Group, os candidatos a presidente tentarão reproduzir e sustentar o " fenômeno político de Uribe " . Mas, sem ele no comando, a coalizão poderá perder força. Santos lidera com 23% das intenções de voto na a única pesquisa feita após a Justiça decidir que Uribe não poderia disputar um terceiro mandato.

" Se Santos disputar o segundo turno, que certamente ocorrerá, contra um candidato de um partido que não apoia o governo, o resultado é claro: ele será eleito. Mas se concorrer com um candidato que apoia Uribe, seu desempenho nas urnas poderá não ser tão bom " , avalia Esteruelas.

Na Colômbia, o presidente não pode ter candidato nem apoiar um deles. Além de Santos, há outros três candidatos governistas na disputa: German Vargas Llera, Andrés Felipe Arias e Noemí Sanin (os dois últimos disputam a indicação do Partido Conservador).

Esteruelas observa que não há na Colômbia uma ligação direta entre a disputa pelo Congresso e pela Presidência. Na disputa de domingo, o Partido Liberal, por exemplo, obteve o terceiro maior número de senadores, mas o candidato da legenda, Rafael Pardo, tem 6% nas pesquisas. O popular ex-prefeito de Medellín, Sérgio Fajardo, tem 9% das intenções na eleição presidencial e o seu novo movimento independente só elegeu um senador.

Embora continue sendo um nome com alta aprovação após oito anos de governo, Uribe tem sido alvo de críticas cada vez mais insistentes por causa da alta taxa de desemprego de 14%, da recuperação lenta da economia após a crise financeira internacional e por causa de uma reforma do sistema de saúde que poderia prejudicar idosos de baixa renda.

Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs para América Latina, diz que mesmo com maioria no Congresso, Uribe tem sido forçado a fazer concessões para passar projetos e reformas. E o próximo presidente que supostamente terá menos força que Uribe deverá enfrentar dificuldades maiores no Legislativo. Assim, disse Ramos numa nota ontem, não é possível dizer que há muitas chances de que o " o novo presidente será capaz de convencer o Congresso a aprofundar ajuste fiscal por meio da aprovação reformas fiscais que aumentariam a base de arrecadação, reduzir a rigidez orçamentária e diminuir o elevado déficit estrutural do governo " .

(Marcos de Moura e Souza | Valor)

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