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Governo usará reservas para rolagem de dívida de empresas no exterior

Para atender à principal queixa dos empresários no momento - o elevado custo dos financiamentos - o Banco Central vai priorizar a realização dos leilões de linha de crédito com recursos das reservas internacionais, para que empresas rolem suas dívidas no exterior. Ao fornecer empréstimos lá fora, o governo acredita que ajudará a derrubar o custo do crédito no mercado doméstico, já que a procura por linhas de financiamento no País tenderia a diminuir.

Agência Estado |

O governo vai, também, insistir na tese que os bancos oficiais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, devem liderar um movimento de redução dos juros cobrados na concessão de empréstimos, seja para empresas ou para pessoa física. O Banco do Brasil é criticado pelo fato de haver elevado o spread (diferença entre a taxa de juro e o custo de captação do dinheiro) logo após o agravamento da crise. A instituição já promoveu uma rodada de barateamento em suas linhas de crédito, mas o governo avalia que é preciso aprofundar esse movimento. O mesmo se aplica à Caixa, embora a instituição não tenha extrapolado na fixação de suas taxas.

Na avaliação da equipe econômica, o spread bancário no mercado doméstico está "disfuncionalmente" elevado. Diante da escassez de recursos no mercado doméstico, os bancos reagiram com a contração do crédito e o aumento do custo dos empréstimos. Essa situação não se alterou e foi o ponto central da discussão travada entre o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o representante da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Márcio Cypriano, durante a reunião entre empresários e governo, ontem, no Ministério da Fazenda.


Segundo um dos participantes, todos os empresários pediram a redução do custo do crédito. Sem destoar, Cypriano defendeu que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 20 e 21, fosse antecipada para acelerar o corte dos juros.


Imediatamente, "na lata", Meirelles reagiu exibindo um gráfico que mostra o descolamento entre os spreads bancários e os juros de 360 dias. Num padrão normal, os spreads e os juros têm um comportamento parecido. Mas, nas últimas semanas, os spreads subiram muito mais do que os juros. Com isso, Meirelles tentou demonstrar que a responsabilidade sobre o elevado custo do financiamento não é só do Banco Central, que fixa a taxa básica de juros, mas também do sistema financeiro, que pesou a mão na cobrança dos spreads. Segundo um dos presentes, Cypriano calou-se depois disso. "Foi uma discussão elegante, mas dura. Ficou desagradável para o Cypriano."

Diante da pressão dos empresários pela redução da taxa de juros, Meirelles não deu nenhuma sinalização. No entanto, ficou especialmente interessado pelo comentário do vice-presidente de Operações do grupo Pão de Açúcar, Jorge Herzog, quando este comentou que há pressões dos fornecedores para aumentar os preços, repassando o efeito da alta do câmbio.

O presidente do BC mostrou-se preocupado e quis saber se esse movimento era generalizado ou não, e qual a intensidade. Herzog disse que a orientação é não aceitar novas tabelas, segundo relatou um dos participantes. O repasse da alta do câmbio é, no momento, um dos principais focos de preocupação do Banco Central quanto ao risco de alta da inflação. É um ponto de incerteza num cenário em que os demais fatores - índices de inflação em queda e atividade econômica desacelerando - apontam para a queda dos juros.

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