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Governo tenta manter equilíbrio entre aliados com eleições de Mesas

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado em garantir a eleição de Tião Viana (PT-AC) para a presidência do Senado e de Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara para evitar o fortalecimento exagerado do PMDB ou o enfraquecimento do PT. Com a busca deste equilíbrio, o governo imagina garantir a aprovação de projetos do seu interesse no Legislativo em 2009 e promover o mínimo de mudanças possíveis na composição política do governo.

Valor Online |

Qualquer outro cenário - como a eleição de José Sarney (PMDB-AP) no lugar de Tião Viana, por exemplo - obrigaria o Executivo a uma série de operações para tentar anular os estragos políticos.

Isso torna decisiva a conversa que o Lula terá, nos próximos dias, com o próprio Sarney. Caso o senador afirme, claramente, que deseja ser candidato - algo que não fez até o momento -, ele o será com o apoio de Lula. Mas, a partir daí, o governo teria que negociar cuidadosamente com os aliados, PT e PMDB, em busca de saídas que impeçam uma crise na coalizão.

O primeiro movimento seria arrumar uma forma de compensar o PT. Acomodar a legenda na Esplanada dos Ministérios, poderia ser a melhor alternativa. Neste caso, cogita-se a substituição de José Gomes Temporão no Ministério da Saúde. Apesar de pemedebista, Temporão é da cota pessoal do presidente Lula.

Outra consequência da eleição de Sarney seria a possibilidade de Temer perder a disputa da Câmara. Um experiente senador afirmou ao Valor ter ouvido de um petista de seu Estado que, se os pemedebistas pressionarem contra a candidatura de Tião Viana, eles se sentirão descompromissados a manter a parceria PT-PMDB na Câmara. Como o voto é secreto e a disputa entre os deputados acontece depois da dos senadores, a traição torna-se bastante plausível na visão de integrantes do governo.

Sem Temer na presidência, não há certezas sobre o que o governo poderá encaminhar ao Congresso ao longo de 2009. O pemedebista concorda em levar adiante projetos como reformas política e tributária. Com outro presidente, toda a negociação teria que começar do zero.

Caso os petistas migrem os votos para Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o quadro ainda seria melhor para o governo do que uma vitória de Ciro Nogueira (PP-PI), considerado independente demais e defensor, dentre outras idéias consideradas estapafúrdias pelo governo, do orçamento impositivo.

Mas, por mais fidelidade que Aldo possa ter ao Executivo - ele já deu provas disso ao próprio presidente Lula, ao concordar em ser vice de Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo - o governo não quer enfrentar, nos dois últimos anos de mandato do presidente Lula, um PMDB magoado por um rompimento de acordo. As turbulências na sucessão da Mesa da Câmara são muito mais preocupantes do que na do Senado. " É na Câmara que asseguramos a tramitação de nossos projetos. O Senado já nos forneceu diversos dissabores ao longo desses últimos anos " , lembrou um aliado do governo.

Se Sarney for eleito e Temer também, Legislativo e Executivo terão que lidar com um PMDB hipertrofiado, ditando as regras para as eleições de 2010. " E o PMDB sempre pende para quem tem perspectivas de governo. Independente de quem seja " , concluiu um governista.

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico )

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