O governo foi informado na última quinta-feira (dia 30) da fusão entre Unibanco e Itaú, anunciada ontem. Os banqueiros Pedro Moreira Salles e Roberto Setúbal, controladores das duas instituições, procuraram o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para falar da decisão.

Por telefone, Meirelles informou Lula, que chegara às 3 horas da madrugada (7 horas, em Brasília) em San Salvador, para a Cúpula dos Países Ibero-americanos.

No domingo (dia 2) à noite, Salles e Setúbal procuraram Lula na Base Aérea de São Paulo, onde o presidente embarcaria momentos depois para Brasília. Eles entregaram uma carta com as razões da fusão. Nela, contaram que as negociações começaram havia 15 meses.

Embora não façam nenhuma citação no documento, revelaram ao presidente que o início das negociações foi motivado pela compra de bancos médios no Brasil por grandes conglomerados financeiros. Na carta, os dois banqueiros informaram o nome da nova empresa - IU Holding - que será um das 20 maiores instituições financeiras do mundo. Disseram ainda que resolveram fazer a comunicação agora, apesar da crise financeira global, para dar a demonstração de que confiam nas medidas tomadas pelo governo - não citaram, mas entre elas está a Medida Provisória (MP) 443, que permite a estatização de bancos - uma forma de criar uma defesa contra a turbulência internacional.

As negociações entre os dois bancos ganharam força há 7 meses, sempre em sigilo absoluto. Desde o início, ficaram restritas praticamente às famílias donas dos bancos. Da parte do Itaú, participaram os irmãos Roberto e Alfredo Setubal e representantes da família Vilella.

Da parte do Unibanco, participaram Pedro Moreira Salles e Israel Vainboim, membro do conselho de administração. Para manter sigilo não foram chamados sequer executivos dos dois bancos. Só na semana passada, começaram a participar das conversas advogados e auditores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Assista ao comentário do colunista José Paulo Kupfer ( leia o blog ) sobre a fusão

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