BRASÍLIA - O governo anunciou nesta terça-feira uma prorrogação do incentivo fiscal para veículos menos poluentes até março do ano que vem, numa medida que representa renúncia fiscal de R$ 1,3 bilhão. Os veículos álcool/flex de até mil cilindradas continuarão com alíquota de 3% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até março do ano que vem. Os modelos até 2 mil cilindradas terão alíquota de 7,5% também até março e os acima disso seguirão com 18%.

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No caso dos automóveis a gasolina de até mil cilindradas, a alíquota de 3% subirá para 5% em dezembro e, a partir de janeiro do ano que vem, será de 7%. Os veículos a gasolina de até 2 mil cilindradas, atualmente com IPI de 9,5%, terão alíquota de 11% em dezembro e de 13% a partir de janeiro. Acima desses modelos, a alíquota segue em 25 por cento.

Já para caminhões, o governo decidiu manter a alíquota zerada até junho do próximo ano.

"Queremos que a indústria automobilística se consolide no Brasil e queremos, ao mesmo tempo, trazer para o país o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para o meio ambiente", disse Mantega ao revelar as medidas.

Ele acrescentou que está sendo formado um grupo de trabalho para debater o setor.

"Agora é um momento importante para a indústria automobilística depois da crise, este é um momento de definições de estratégias mundiais e, portanto, é muito importante que o Brasil apresente condições de desenvolver essa indústria", afirmou o ministro.

Quase nove em cada 10 automóveis e comerciais leves vendidos no Brasil de janeiro a outubro deste ano foram bicombustíveis, de acordo com dados da Anfavea, associação que representa as montadoras.

O governo anunciou em dezembro passado a redução do IPI que incide sobre veículos, com o objetivo de estimular as vendas de automóveis em meio à crise econômica global.

O incentivo fiscal, previsto originalmente para terminar em março e que foi prorrogado, sustentou as vendas de carros no país, com o Brasil sendo um dos únicos lugares do mundo a apresentar expansão do setor automotivo ao longo de 2009.

Segundo dados da Anfavea, as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus de janeiro a outubro somaram 2,6 milhões de unidades, alta de 6,1% ante igual período de 2008.

Para o fechamento do ano, a entidade estima oficialmente avanço de 6,4%, para o recorde de 3 milhões de unidades, embora já tenha indicado que o número final poderá chegar a 3,08 milhões.

O desconto cheio do IPI sobre veículos vigorou até setembro, com retorno gradual a partir de outubro.

A decisão do governo de priorizar produtos menos nocivos ao meio ambiente não é inédita. No mês passado, foi prorrogado o IPI reduzido para produtos da linha branca que consomem menos energia.

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