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BRASÍLIA - Após o déficit de US$ 518 milhões em janeiro, por efeito direto da crise mundial, o desempenho da balança comercial pode piorar no decorrer do primeiro trimestre. Até março vai ser ruim , afirmou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que foi taxativo sobre as perspectivas de curto prazo: Estamos no pior da crise.

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Diante da queda na quantidade vendida pelo país em janeiro, quando as exportações recuaram 22,8% sobre o mesmo mês de 2008, Barral informou que trabalha com cinco cenários para 2009. Mas somente em abril ele vai se arriscar a divulgar uma previsão para o comportamento das exportações no ano. Citou que a valorização do dólar sobre o real deve ajudar a segurar as importações, mas há o problema da recessão nos principais países compradores de produtos brasileiros.

Em janeiro, a balança comercial foi " afetada pela crise mundial, que não é brasileira, mas externa " , disse o secretário. " O problema foi mais de queda de demanda do que de redução de preço. " Dados do Ministério do Desenvolvimento apontaram que as compras de itens brasileiros pelos Estados Unidos diminuíram 36% em relação a janeiro de 2008. A União Europeia comprou 27,2% a menos e os embarques para a Argentina tiveram uma queda abrupta de 48,4%. O secretário mencionou ainda que além da queda da demanda, as vendas brasileiras foram afetadas em alguns produtos - como o aço - pelo aumento da concorrência por parte de países que "procuraram vender estoques a qualquer preço". Barral procurou contemporizar a situação difícil afirmando que "o Brasil até agora tem sido menos afetado pela queda de demanda do que outros países". Com dados de dezembro, Barral explicou que as exportações do Chile e do México - mais dependentes do mercado americano - caíram 24,7% e 19,7%, respectivamente, sobre novembro. A queda nas vendas brasileiras foi bem menor nesse confronto, de 2,9%.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)