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O impacto severo da crise econômica sobre o comércio internacional levou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a prever recuo de 20% nas exportações brasileiras em 2009. Se confirmado, os embarques alcançarão apenas US$ 160 bilhões, voltando ao nível de 2007.

Será a primeira vez desde 1999 que o Brasil registrará queda no valor anual exportado.

No primeiro trimestre, por causa da retração do mercado global e da escassez de crédito, as vendas brasileiras ao exterior somaram US$ 31,177 bilhões - queda de 19,4% em relação a igual período de 2008. Como reflexo da diminuição da atividade econômica, as importações caíram 21,5%, para US$ 28,165 bilhões, e contribuíram para que o trimestre fechasse com um superávit de US$ 3,012 bilhões, valor maior que o saldo de US$ 2,76 bilhões do mesmo período do ano passado.

"De fato, prevemos a primeira queda nas exportações desde 1999, quando o recuo foi de 6,11%. Mas essa também é a pior crise econômica desde 1929", afirmou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. "Essa é uma previsão realista, dentro do quadro atual. Ainda há movimentos de instabilidade que impedem as ações de comércio exterior e também a definição de metas mais seguras." A Secex, entretanto, esmerou-se para mostrar que o cenário para o setor exportador brasileiro em 2009 é mais favorável que o de outros seis países - Rússia, México, Argentina, Coreia do Sul, Estados Unidos e China. Como o Brasil, que viu as exportações crescer 23,2% no ano passado, todos esses países apontaram vigorosa expansão de vendas - com exceção do México.

Beneficiada pelo preço alto do petróleo no mercado internacional, a Rússia elevou suas exportações em 33,1%. A China registrou ampliação de 17,3% e a Argentina, 26,5%. No início deste ano, o sinal foi invertido abruptamente. Em janeiro, as exportações russas recuaram 43%. A China e a Argentina, no primeiro bimestre, viram seus embarques caírem 21,1% e 30,4%, respectivamente.

No caso dos Estados Unidos, o aumento de 11,9% nas exportações de 2008 reverteu-se para uma queda de 21,5%, em janeiro passado. O México, que havia elevado suas vendas em 7,3% em 2008, teve recuo de 31,5% em janeiro. O desempenho mais parecido com o do Brasil foi o da Índia, cujas exportações cresceram 17,8% em 2008 mas encolheram 18,9% no primeiro bimestre de 2009.

"O Brasil tem mais crédito disponível, até para o comércio exterior, que outros países. Mas há o temor de que as medidas de socorro às economias e aos bancos se restrinjam ao financiamento doméstico, em vez de orientadas também para o comércio", resumiu Barral, ao mencionar a questão do protecionismo financeiro, que será analisada pelos líderes do G20, reunidos hoje em Londres.

Os dados divulgados ontem pela Secex mostram que somente as exportações de produtos básicos mantiveram-se estáveis no trimestre, em relação a igual período de 2008. O aumento de apenas 1,7% foi obtido graças ao desempenho da soja, do minério de ferro, milho e de fumo. Os embarques de manufaturas recuaram 22,1% e os de semimanufaturados, 22,9%.

Na outra mão do comércio, o recuo mostrou-se mais intenso justamente nas categorias de produtos vinculadas ao processo produtivo. Em comparação com o primeiro trimestre de 2008, as aquisições de insumos e produtos intermediários encolheram em um terço, em quantidade. Em valor, a queda foi de 27,2%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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