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Governo pretende cortar gasto se País crescer mais de 6%

O corte em despesas de custeio deverá ser o próximo passo do governo para desacelerar a velocidade do crescimento da economia brasileira e bloquear efeitos nocivos sobre a inflação, além de tentar evitar o agravamento de gargalos de infraestrutura. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que, após a alta dos juros e a retirada de incentivos fiscais de estímulo ao crescimento, como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a mira agora está sobre a demanda governamental.

AE |

O corte em despesas de custeio deverá ser o próximo passo do governo para desacelerar a velocidade do crescimento da economia brasileira e bloquear efeitos nocivos sobre a inflação, além de tentar evitar o agravamento de gargalos de infraestrutura. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que, após a alta dos juros e a retirada de incentivos fiscais de estímulo ao crescimento, como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a mira agora está sobre a demanda governamental.

Segundo ele, as medidas de contenção de custos, que estarão concentradas sobre os programas de custeio dos ministérios, serão tomadas quando houver um crescimento acima do esperado. Mantega definiu até mesmo o limite aceitável para a expansão da economia sem as medidas, que seria de 6%. O anúncio foi feito em seminário no Rio. Programas sociais e investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo ele, serão preservados.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfjan, que também participou do evento, acredita que o crescimento econômico de 2010 já justifica a aposta num aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 6,5% ou até mais. Por isso, considera fundamental que o governo tome essas medidas para reduzir a velocidade da expansão.

Em palestra, Mantega afirmou que a economia já voltou a crescer nos níveis pré-crise. “Alguns dizem que há superaquecimento. Não sei se há, mas com certeza a economia está aquecida. Em função disso, todos os estímulos estão sendo retirados e o Banco Central elevou os juros em 0,75 ponto porcentual, bem acima do que alguns países fizeram. Então, já há uma desativação dos estímulos e continuaremos reduzindo-os se necessário, inclusive para diminuir a demanda do setor público para que tenhamos um crescimento equilibrado este ano e nos seguintes.”

Em seguida, em entrevista, o ministro foi mais enfático ao acenar para os cortes. “Estamos estudando a possibilidade de reduzir o consumo do governo, mas temos de olhar com cautela. Se for confirmado um crescimento bem mais forte do que esperamos, acima de 6%, podemos reduzir o consumo e os gastos correntes de ministérios podem ser diminuídos”, afirmou.

Mantega argumentou que a demanda doméstica no PIB, composta de consumo das famílias, Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, ou investimentos) e demanda do governo, já cresce a níveis elevados e, para desacelerar esse ritmo, a opção será reduzir o consumo público, mantendo o consumo do setor privado. Indagado sobre que cortes seriam esses, Mantega esclareceu: “Vamos manter todo o programa de investimentos do PAC, senão criamos gargalos. Os programas sociais serão mantidos e os programas de custeio podem ser postergados ou diminuídos.”

Urgência

Para Ilan Goldfajn, a perspectiva de redução da demanda do governo como a anunciada ontem pelo ministro deverá ser eficiente para ajudar a desaquecer o crescimento da economia brasileira, mas a questão é definir quando a decisão será efetivamente tomada. “Os efeitos dependem de em que momento será incorporado o fato de que o Brasil já cresce acima de 6%. A essa altura, um crescimento de 6,5% ou até mais parece razoável.”

Goldfajn disse que a projeção do Itaú Unibanco para o PIB em 2010 é de uma expansão de 6,5%, mas esse dado já está sendo revisado para cima. Segundo ele, o conjunto de cortes de gastos do governo, se efetivado, mais a retirada de estímulos e a alta nos juros, deverá ajudar a desaquecer essa velocidade de crescimento.

O economista acredita que o PIB brasileiro tenha crescido de 2% a 3% no primeiro trimestre deste ano ante o trimestre imediatamente anterior. “Anualizado, dá um crescimento de dois dígitos.” Ele explicou que prevê alguma desaceleração na expansão da economia no segundo trimestre, “mas o problema é quando e quanto vai desacelerar”.

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