BRASÍLIA - O governo poderá reduzir impostos em 2009 para mitigar a desaceleração da economia, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como exemplo. Temos um arsenal muito grande de ações pontuais anticrise, afirmou ele, e podemos trabalhar para reduzir o custo financeiro dos empréstimos.

"Não deixaremos ocorrer uma desaceleração no Brasil", afirmou o ministro, após a reunião ministerial na Granja do Torto. Ao reiterar que o governo não pensa em adotar um pacote de medidas como outros países estão adotando contra a recessão no ano que vem, Mantega disse que o governo "está atento aos impactos setoriais".

Ele afirmou que assim como já tomou medidas para garantir a crédito a setores que empregam muito, como o agronegócio, automotivo, a construção civil e as fábricas de motocicletas, ele não descartou a possibilidade de novas ações.

Questionado sobre a possibilidade de redução de tributos, o ministro disse que essa é uma possibilidade. "Poderemos reduzir alguns tributos como já fizemos, se for necessário", disse Mantega.

Mas ele não quis sinalizar se o Banco Central poderá cortar a taxa Selic como estímulo à manutenção do crescimento econômico.

"Podemos trabalhar para reduzir o custo financeiro", disse ele. "Vocês sabem que é muito alto o custo dos empréstimos. As pessoas físicas pagam 45%, 50% de taxas de juros, e nisso nós podemos criar condições para reduzir, já que a taxa básica de juros é uma questão do Banco Central", continuou Mantega.

Ele afirmou que como estímulo à manutenção "do país como um grande canteiro de obras", o governo pretende liberar investimentos em 2009, em especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de criar ambiente para aumento dos investimentos do setor privado.

"O PAC é como se fosse um programa anticiclico", disse Mantega, um estímulo ao crescimento do emprego e da renda onde as obras de infra-estrutura estão localizadas. Ele complementou afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos ministros que se a receita do governo federal recuar em 2009, os programas sociais não serão atingidos.

"Se houver queda na arrecadação por conta desaceleração, faremos cortes no custeio, em despesas não essenciais", explicou Mantega.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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