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Governo paraguaio anuncia Conselho Nacional de Reforma Agrária

Assunção, 7 nov (EFE).- O Governo paraguaio anunciou hoje a criação do Conselho Nacional da Reforma Agrária Integral para buscar uma saída ao conflito gerado no campo diante do aumento das ameaças de invasões a fazendas nas últimas semanas.

EFE |

O presidente Fernando Lugo anunciou a criação do conselho após a reunião desta quinta-feira à noite com os dirigentes de grupos de lavradores da Frente Social e Popular, ligado ao chefe de Estado e formado por várias organizações sociais, informou a Presidência em comunicado.

Os líderes camponeses da Frente se reuniram com Lugo após completarem ontem o terceiro dia de protestos em Assunção e em outros sete departamentos (estados), onde também realizaram bloqueios de estradas para reivindicar mudanças no Poder Judiciário e na Promotoria, assim como para exigir reforma agrária.

O ministro do Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert), Alberto Alderete, que participou da reunião, disse que Lugo assinará o decreto que cria o Conselho Nacional durante um encontro com os camponeses, no próximo dia 12.

O encontro aconteceu na residência presidencial de Mburuvicha Roga.

Além disso, Alderete ressaltou que "o Governo começará a implantar um programa de contingência para atender às necessidades mais urgentes dos camponeses", diz o comunicado oficial.

O documento acrescenta que dentro desse plano de contingência "se estipula a recuperação de terras em poder de pessoas não-adeptas à reforma agrária", assim como dos terrenos obtidos de forma irregular por pessoas "de inescrupulosas administrações governamentais anteriores".

O Conselho Nacional da Reforma Agrária será integrado por autoridades do Indert e dos ministérios de Agricultura e Pecuária, Educação e Saúde Pública, além da Administração Nacional de Eletricidade (Ande) e dos líderes dos grupos camponeses.

Já Héctor Cristaldo, presidente da União de Grêmios de Produção (UGP), criticou o fato de não se incluir representantes dos produtores agrícolas no futuro conselho.

No entanto, destacou como algo positivo a intenção de criar esse organismo, que, segundo ele, deve elaborar um "Mapa de Caminho definido para atender às reivindicações camponesas".

O anúncio da criação do conselho acontece no momento em que grupos de denominados "sem-terra" permanecem acampados nas fazendas dos produtores de soja mecanizada, principalmente de brasileiros, para exigir o acesso a elas.

Os grupos acusam colonos brasileiros de comprar ou receber concessões de terras ilegalmente e de desmatarem florestas e poluirem o meio ambiente com cultivos mecanizados, como o da soja.

EFE rg/fh/jp

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