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Governo negocia mais recursos a juros controlados para safra 2008/09

Curitiba, 1º - O secretário de Política Agrícola, Edilson Guimarães, do Ministério da Agricultura, afirmou hoje que o governo trabalha para disponibilizar aos produtores rurais um maior volume de recursos a juros controlados na safra 2008/09, cujo plantio começa em setembro. Ele disse que o assunto ainda está sendo negociado pela equipe econômica com ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e que a decisão será anunciada amanhã em Curitiba (PR).

Agência Estado |

Na safra passada, 2007/08, o governo ofertou R$ 37,85 bilhões em recursos controlados do crédito rural, que tem taxa de 8,75% ao ano. Balanço da secretaria indica que até maio foram liberados R$ 36,9 bilhões desse total. A agricultura contou com um total de R$ 70 bilhões na safra que terminou oficialmente ontem.

Para a próxima safra, o governo deve liberar R$ 78 bilhões em crédito, dos quais R$ 65 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 13 bilhões para a agricultura familiar. "A idéia é oferecer mais recursos com taxa de juros mais baixas, o que vai significar a redução dos custos da atividade agrícola", afirmou Guimarães em Curitiba, durante entrevista coletiva para falar de alguns pontos do Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, que deve ser divulgado amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Guimarães observou que a agricultura demanda recursos da ordem de R$ 156 bilhões para custeio e capital de giro da atividade. O crédito rural, no entanto, supre apenas uma parte dessa necessidade. O restante é bancado pelo produtor, por meio de recursos próprios ou de empréstimos no mercado.

Feijão

Guimarães afirmou que o governo vai desvincular a liberação de recursos para custeio da lavoura de feijão do limite para as outras culturas. A medida está incluída no Plano Agrícola e Pecuário 2008/09. Até a safra passada, a liberação de recursos para o custeio do feijão dependia da contratação de linhas de financiamento para outras culturas. Se um produtor pedisse dinheiro para o milho, por exemplo, só poderia pegar recursos complementares até atingir o limite individual para o cultivo do feijão.

A partir da safra atual, não haverá mais esse mecanismo. A medida, segundo o secretário, tem o objetivo de estimular o plantio do feijão, um dos produtos responsáveis pela alta dos índices de inflação. Segundo ele, a intenção do governo é estimular o cultivo da leguminosa, principalmente no Centro-Oeste, onde ele compete com outras culturas. Ele lembrou ainda que não é intenção do governo estimular uma produção superior à demanda. "Se produzirmos muito, o mercado perde o equilíbrio", disse.

O feijão é um produto estratégico do ponto de vista de abastecimento do mercado interno, já que não é um produto comercializado internacionalmente e tem um ciclo de vida curto. "Ele endurece se não for consumido rapidamente", afirma.

Grãos

O secretário afirmou que o governo não fará uma intervenção no mercado de grãos. Ele comentava a decisão que será anunciada amanhã pelo governo de recompor estoques públicos de grãos. A proposta é que os estoques públicos passem de 1,5 milhão de toneladas em 2008 para 6 milhões de toneladas em 2009. Ele disse que a idéia é estocar, principalmente, milho e arroz. Guimarães disse que as compras serão feitas em 2009 e os produtos serão adquiridos quando os preços de mercado estiverem abaixo do mínimo de garantia. "Isso não é uma intervenção como pode parecer", afirmou.

Segundo o secretário, a idéia do governo é ter um volume de grãos armazenado para vender no caso de alta dos preços no mercado interno. Ele disse que os recursos para a compra estão sendo negociados pelo Ministério da Agricultura, junto aos ministérios do Planejamento e da Fazenda.

Guimarães fez ainda um balanço da política agrícola do governo em 2007 e disse que o governo comprou, no ano passado, 1,2 milhão de toneladas de grãos, e apoiou a comercialização de 11,6 milhões de toneladas, políticas que nem sempre representaram o depósito dos produtos nos armazéns do governo. Neste ano, a política de intervenção não foi acionada, pois os preços dos grãos estão em alta. Ele lembrou ainda que o governo tem vendido os estoques de arroz para equilibrar os preços no mercado interno.

Em relação às críticas dos produtores, que pedem uma política de longo prazo para o setor agrícola, o secretário lembrou que o plano de safra é anunciado todos os anos, mas que o governo tem mantido as linhas gerais do pacote e feito apenas ajustes pontuais nas medidas.

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