Caracollo/La Paz, 10 mai (EFE).- O Governo de Evo Morales qualificou hoje de "fracasso" a greve geral por tempo indeterminado convocada pela central única sindical boliviana, que teve pouco seguimento e foi marcada pelo início de uma passeata entre a cidade de Caracollo e La Paz.

Caracollo/La Paz, 10 mai (EFE).- O Governo de Evo Morales qualificou hoje de "fracasso" a greve geral por tempo indeterminado convocada pela central única sindical boliviana, que teve pouco seguimento e foi marcada pelo início de uma passeata entre a cidade de Caracollo e La Paz. Em entrevista coletiva, os ministros da Presidência, Óscar Coca, e de Economia e Finanças, Luis Arce, consideraram o movimento um "fracasso" ao avaliarem o protesto da Central Operária Boliviana (COB), convocado para exigir ao presidente Morales um aumento acima dos 5% decretado no último dia 1º, Dia Internacional do Trabalho. "Não há nenhuma greve no país, as atividades estão normais. Em alguns lugares, sob pressão, buscou-se paralisar ou mobilizar grupos, mas achamos que isso foi totalmente superado", disse Coca. A greve teve pouca adesão, efetiva apenas em algumas escolas do Estado, conforme assegurou a imprensa local e tal como constatado pelos correspondentes da Agência Efe. Porta-vozes das confederações sindicais de professores, operários e funcionários do setor de saúde inclusive declararam à Efe hoje de manhã que seus setores não estavam prontos para iniciar uma greve geral por tempo indeterminado. Coca argumentou que uma "greve geral normalmente é uma medida extrema, na qual se pretende e se procura debilitar ou inclusive derrubar Governos", pelo qual o "fracasso" do protesto da COB mostra "uma total convicção com o esforço democrático do país". O vice-presidente do país, Álvaro García Linera, acusou na semana passada a COB de estar sob influência da "direita" boliviana e de funcionários da embaixada dos Estados Unidos para atentar contra o Governo Morales. Para evitar que os sindicatos aderissem à greve, vários ministros passaram horas negociando com dirigentes de vários setores para fazer ofertas salários e da idade de aposentadoria, que devem ser avaliadas agora pelas assembleias sindicais. No entanto, o líder da COB, Pedro Montes, do setor de mineração da central, iniciou uma passeata de 200 quilômetros do povoado de Caracollo, no planalto boliviano, até La Paz, para manter a pressão sobre Morales a favor de um maior aumento salarial. Montes disse à Agência Efe em Caracollo que a manifestação, que ao meio-dia contava com cerca de 600 participantes, irá se fortalecendo com a passar dos dias, e que os sindicatos que não a apoiaram hoje vão se somar "quando virem que têm importância para fazer ouvir a voz do movimento operário". Nas negociações da madrugada, o Governo manteve a decisão de aumentar em apenas 5% a "massa salarial", mas propôs que, em vez de uma distribuição igualitária para todos, se apliquem variações para favorecer com uma percentagem maior aos que ganham menos. Os professores bolivianos da rede pública mais bem pagos ganham por mês entre 3 mil e 4 mil bolivianos (entre US$ 424 e US$ 565). Eles estabeleceram como meta um aumento de US$ 1 mil, o que foi rejeitado pelo Executivo. Os operários, que têm vários dirigentes em greve de fome para reivindicar um aumento de 12%, recebem salários médios de 700 bolivianos (US$ 100) por mês. Para eles, um aumento de 5% representa apenas US$ 5 a mais. Desde semana passada, também houve passeatas e greves de fome de esposas de policiais de baixa patente e dos funcionários da saúde, que pedem aumentos respectivamente de 25% e 26,5%. Segundo o ministro da Economia e Finanças, também se propôs à COB a redução da idade de aposentadoria de 65 anos para 58 anos a quase todos os trabalhadores, salvo os que trabalham em minas, que poderiam se aposentar aos 51. Os trabalhadores de minas na Bolívia têm expectativa média de vida de 40 anos, devido a doenças como silicose, causada por respirar a poeira de sílica das minas. A COB já havia convocado uma greve de 24 horas na terça-feira da semana passada, que também não surtiu maior efeito na atividade geral da Bolívia, mas acabou resultando com atos de violência no centro de La Paz. EFE ja/sa

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