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Governo leiloa represa de Belo Monte

Brasília, 20 abr (EFE).- O Governo Federal leiloou hoje as obras da hidrelétrica de Belo Monte, apesar da resistência de índios e camponeses, informaram fontes oficiais, que posteriormente divulgarão o nome do consórcio vencedor.

EFE |

Brasília, 20 abr (EFE).- O Governo Federal leiloou hoje as obras da hidrelétrica de Belo Monte, apesar da resistência de índios e camponeses, informaram fontes oficiais, que posteriormente divulgarão o nome do consórcio vencedor. O leilão foi realizado imediatamente depois que um juiz revogou a decisão de outro tribunal, que ontem à noite havia ordenado o cancelamento tanto da licitação quanto da licença ambiental que o Governo tinha outorgado às obras, por causa do impacto ambiental e humano que elas causarão. Apesar do leilão das obras da hidroelétrica de Belo Monte ter sido realizado, os movimentos sociais contrários ao projeto anunciaram que voltarão aos tribunais, agora para tentar cancelar a medida. Com apenas dois concorrentes, a licitação foi realizada na seda da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília, que hoje amanheceu com centenas de manifestantes contrários ao projeto diante de suas portas. Com a intenção de impedir a realização do leilão, um grupo de ativistas do Greenpeace chegou durante a madrugada à sede da Aneel e jogou com um caminhão carregado de excrementos de cavalo, material que foi jogado na porta do prédio. Além disso, cinco deles se acorrentaram aos portões da Aneel, na tentativa de impedir a entrada dos funcionários. Os ativistas ainda afixaram cartazes com duras críticas e divulgaram um comunicado condenando "a herança maldita que o Governo Lula deixará ao Brasil por insistir nessa obra". A ação do Greenpeace recebeu apoio de dezenas de índios e camponeses de Altamira, que também estão concentrados no lugar, onde foi anunciada para hoje um grande protesto de movimentos sociais contrários ao projeto. A represa de Belo Monte custará US$ 10,6 bilhões, e gerará em média 4.571 megawatts/hora e no pico de geração de energia será capaz de produzir 11.233 megawatts nos períodos de cheia do rio Xingu, um dos principais afluentes do Amazonas. Sua construção deve inundar cerca de 500 quilômetros de floresta amazônica, o que gerou duras críticas de grupos ambientalistas, índios, camponeses e até entre estrelas de Hollywood (Los Angeles, EUA), como o cineasta canadense James Cameron, diretor de "Avatar". Na semana passada, Cameron, junto dos atores americanos Sigourney Weaver e Joel David Moore, dois dos protagonistas do filme, participaram de um protesto realizado por índios e camponeses em frente à sede da Aneel, em Brasília. Conforme o Governo, Belo Monte é uma obra chave para assegurar o abastecimento de energia elétrica e atender a demanda crescente na próxima década. No entanto, até o próprio Ministério Público Federal denunciou o projeto diante da Justiça, por considerar que "colocará em risco a subsistência" de milhares de índios e camponeses, e porque viola normas constitucionais que regulam o desenvolvimento em terras indígenas. EFE ed/dm
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