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Governo Kirchner quer reargentinizar empresa aérea

Os sindicatos de trabalhadores de empresas aéreas da Argentina pediram ontem à Justiça do país que declare a intervenção na Aerolíneas Argentinas. Na prática, isso poderia significar o início de um processo de reargentinização da empresa, atualmente controlada pelo grupo espanhol Marsans, que detém 94,41% do capital - o governo argentino tem 5% e os empregados da empresa, 0,59%.

Agência Estado |

Os sindicatos, alinhados com a presidente Cristina Kirchner, pedem a intervenção para que a Aerolíneas pague meses de salários atrasados. Em troca, em uma reunião com ministros, os sindicatos prometeram "paz" durante 60 dias, período ao longo do qual comprometem-se a não realizar greves. Os atrasos salariais e as dívidas da companhia com o Estado estão servindo de argumento para a estratégia de "reargentinização" - que seria feita tanto com o aumento do capital estatal na empresa quanto com a entrada de grupos privados vinculados ao governo Kirchner.

A Aerolíneas, junto com sua associada Austral, controla 80% dos vôos internos da Argentina. Mas, apesar da hegemonia, suas finanças vão de mal a pior. A empresa deve mais de US$ 200 milhões ao governo. As tarifas congeladas, os altos preços do combustível e as greves constantes transformaram a administração da empresa em tarefa de Hércules.

Vajar pela Aerolíneas nos últimos meses tornou-se uma aventura. Seus aviões costumam partir com maiores atrasos do que outras companhias, e os cancelamentos dos vôos são feitos sem nenhuma explicação. Os sindicatos - que contam com explícito apoio do governo - afirmam que 50% dos aviões que a Aerolíneas possui não são utilizados.

Trunfo político

A eventual volta da histórica companhia às mãos argentinas é um potencial trunfo político para os Kirchners - Cristina e o marido dela, Néstor, que a antecedeu na presidência -, que, atualmente, sofrem uma drástica queda de popularidade. O problema, admitem os próprios assessores do governo argentino, é encontrar um empresário local disposto a assumir a árdua missão de administrar e investir na caótica empresa.

As ameaças de "reargentinização" provocaram irritação em Madri. O governo do primeiro-ministro José Luis Zapatero já reclamou da falta de "segurança jurídica" na Argentina, além da falta de "normas claras e estáveis". Analistas sustentam que o caso da Aerolíneas azedaria as relações bilaterais. Além disso, essa operação - se for concretizada - também intensificaria a desconfiança dos investidores internacionais em relação à Argentina.

Os planos de "reargentinização" da Aerolíneas, porém, estão na agenda do casal Kirchner há tempos. No ano passado, o então presidente Néstor Kirchner declarou que sua intenção era a de aumentar o peso estatal na empresa de 5% para 20%. Néstor, ao longo de seu governo (2003-2007), implementou a reestatização de várias empresas, entre elas o Correio Argentino, o Sistema Radioelétrico Nacional e a Aguas Argentinas. Os Kirchners são ferozes críticos do processo de privatizações realizado pelo ex-presidente Carlos Menem, que ao longo de uma década praticamente privatizou todas as estatais do país, incluindo as lucrativas.

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