A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje que o governo tem mecanismos de regulação do mercado interno de etanol e que jamais deixará faltar o combustível no País. A ministra refutou ainda a possibilidade de importar álcool, medida considerada drástica para evitar o desabastecimento do combustível, diante do alto consumo e da produção prejudicada pelas chuvas, que atrasam a colheita de cana.

"Não vamos concordar com importação de etanol em País que é o maior produtor de etanol de cana", afirmou.

Dilma, que visitou São Carlos e Araraquara, cidades que integram um dos principais polos produtores de etanol no País, não perdeu a oportunidade de criticar os usineiros, mesmo sem citar nomes, ao comentar a alta no preço do combustível nas usinas e nas bombas. "Não é a primeira vez, isso acontece sempre que sobe o preço do açúcar e que há uma variação do câmbio", afirmou a ministra.

Dilma repetiu ainda o discurso de quando era titular do ministério das Minas e Energia sobre o tratamento do etanol como um produto energético, portanto estratégico, e não uma commodity agrícola. "O papel do governo é zelar, porque não falamos de uma commodity qualquer, falamos de energia que você garante 24 horas por dia, 365 dias por ano. Portanto, estamos avaliando o mercado", explicou.

Apesar das críticas sobre o abastecimento do combustível, a ministra elogiou o programa de uso de etanol no Brasil, considerado por ela como o maior projeto de utilização de energia renovável do mundo. A ministra procurou ainda tranquilizar o setor produtivo, que teme o abandono do apoio governamental ao uso do álcool com o as perspectivas de produção de petróleo do pré-sal. "Não vamos abandonar os biocombustíveis para que não percamos a liderança do etanol", disse. "Temos de disputar a liderança da segunda etapa, que é o etanol feito da celulose", concluiu.

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