As novas estimativas para a safra agrícola brasileira este ano apontam para uma queda maior do que a que vinha sendo projetada. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que previa uma queda de 5,9%, já trabalha agora com uma perspectiva de redução de 7,6%, com uma colheita de 134,7 milhões de toneladas.

Em outro cálculo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estimava uma redução de 4,9%, prevê agora uma queda de 6,5%, com uma colheita também de 134,7 milhões de toneladas. Já o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, tem uma posição ainda mais pessimista. "A quebra pode ficar entre 6% e 8%, resultado que ainda depende das condições climáticas", afirmou.

O gerente da coordenação de agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi, disse que a crise financeira global só deve chegar com mais força ao setor agrícola a partir do segundo semestre. Por isso, a queda prevista na safra em 2009 está mais relacionada à alta de custos de adubos e a problemas climáticos do que às turbulências internacionais. "Essa safra foi decidida pelos produtores antes do agravamento da crise, e os insumos estavam altos por causa do preço elevado do petróleo", disse.

O analista de agropecuária do instituto, Paulo Monassa, disse que a crise já teve efeito mais visível em culturas como o milho e, especialmente, o algodão. Mas deixou de fora o mais importante produto da safra nacional, a soja. Esse produto responderá por 41% da safra de 2009.

Para a Conab, a maior culpada por essa redução na safra até o momento é a estiagem que castiga desde o mês de novembro o Mato Grosso do Sul e os Estados do Sul do País. A falta de chuva compromete o desenvolvimento das lavouras de verão, que começam a ser colhidas com mais intensidade no próximo mês.

Em todo o País, as quebras mais significativas foram nas lavouras de soja, milho e feijão. Stephanes lembrou que o clima também prejudicou o desempenho das safras do Uruguai e da Argentina, países que, juntamente com o Brasil, são importantes produtores agrícolas mundiais.

A quebra na produção, porém, se refletiu nos preços. Stephanes avaliou que as perspectivas para a comercialização da safra 2008/2009 são melhores do que as observadas há três ou quatro meses. "Para a soja, as perspectivas de mercado são boas. Quem plantou vai ter rentabilidade", afirmou.

Ele disse ainda que são boas as perspectivas para a comercialização de açúcar e etanol, quadro que se repete para outros produtos agrícolas. O ministro citou que um bom volume de milho foi embarcado em novembro e dezembro, apesar dos temores de queda na demanda em virtude da crise financeira internacional. Em janeiro, as exportações de milho foram "surpreendentemente boas", de acordo com ele. Diante desse quadro, o ministro disse que o recurso de R$ 4,8 bilhões disponível no orçamento deste ano para apoio à comercialização agrícola não deve ser usado.

Sobre o mercado de carne bovina, Stephanes disse que há perspectiva de aumento das vendas União Europeia (UE), comércio que está limitado a um pequeno número de fazendas por causa das deficiências detectadas no início de 2008 pelos europeus no modelo de rastreamento de animais adotado pelo Brasil. A expectativa do ministro é que os embarques para o bloco se normalizem ao longo deste ano. "Vamos, aos poucos, voltando aos níveis anteriores. Dois terços do que tínhamos é um ótimo avanço."

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